Como 'Senna' usou efeitos especiais e mecânicos argentinos em suas corridas

Imagem da notícia

LEONARDO SANCHEZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Mônaco, Suzuka, Ímola, Monza, Silverstone, Adelaide, Estoril e Interlagos. Autódromos de fama internacional, esses são alguns dos cenários de "Senna". Filmar em todos eles, porém, seria impossível. Recriar em suas pistas corridas de Fórmula 1, então, pior ainda.

Não foi pequeno o desafio que a equipe da nova série da Netflix encarou. Para narrar com fidelidade a trajetória de Ayrton Senna, os diretores Vicente Amorim e Júlia Rezende não podiam abrir mão das cenas de disputa automobilística.

Por isso, foi preciso investir tempo, energia e dinheiro num departamento de efeitos especiais de ponta –mas não só. Direção de arte, fotografia, figurino, equipe de dublês e até um setor de montagem de carros precisaram estar afinados para que "Senna" existisse.

Eles se uniram para buscar, juntos, soluções para que uma corrida como o Grand Prix da Bélgica de 1985 tivesse uma versão ficcionalizada que convencesse o fã mais fiel da Fórmula 1. A largada foi construir carros como os que Senna e outros pilotos dirigiam entre os anos 1970 e 1990.

Encontraram a solução em Tulio Crespi, ex-piloto argentino que desde os anos 1960 administra uma oficina de carros de corrida. De brinde, levaram seu filho, o dublê Luciano Crespi, para o set. É ele quem aparece dirigindo os carros de Ayrton Senna nas cenas de alta velocidade –o capacete foi um facilitador na hora de enganar o público.

"Eu fabrico carros há 60 anos, devo ser a pessoa que mais fez carros de corrida no mundo. E eu corri neste autódromo [de Buenos Aires, onde a série foi gravada] em 1961. Para um projeto importantíssimo como esse, ainda tive meus filhos, que trouxeram todo um conhecimento de tecnologia", diz Crespi sobre a empresa familiar.

Ao todo, ele e os filhos construíram 21 carros para a série, abarcando todas as fases de Senna, do kart à Fórmula 1. Além de réplicas fidedignas, os veículos que seriam dirigidos pelo protagonista e seus principais adversários precisavam ser funcionais. Outros pilotos, coadjuvantes nos episódios, dividiam esqueletos de carros que, na pós-produção, recebiam uma carcaça digital equivalente às suas escuderias.

O fato de Crespi e sua oficina estarem na Argentina pesou na hora de os produtores de "Senna" escolherem os locais para as gravações. Boa parte das cenas de corrida foi filmada no Autódromo de Buenos Aires, que oferecia uma série de vantagens para além da proximidade com o Brasil.

Sua última grande renovação, contam os produtores Caio e Fabiano Gullane, havia sido nos anos 1990 –ou seja, ele preservava características da época em que Senna corria. A localização, por sua vez, dava ao entorno uma vegetação que se aproximava daquela vista em países europeus. E o autódromo estava com a agenda vazia, permitindo que a equipe ficasse meses por lá, o que não era uma realidade em Interlagos, por exemplo.

Assim como Ayrton Senna trocava frequentemente de macacão –o piloto passou por Toleman, Lotus, McLaren e Williams–, o Autódromo Oscar y Juan Gálvez passou o último ano trocando de roupa. Painéis com anúncios vintage e bandeiras de escuderias ajudavam a transformar o local em Suzuka ou Ímola, por exemplo.

Mas ainda assim foi preciso uma alta dose de computação gráfica. Marcelo Siqueira, supervisor da área em "Senna", conta que a primeira coisa que fez quando embarcou no projeto foi comprar um óculos de realidade virtual para jogar games de corrida e, assim, se familiarizar com a perspectiva de um piloto.

Seu maior desafio foi a velocidade. Os carros em cena cobriam vastas quilometragens em poucos segundos, o que limitava o uso de espaços físicos reais. Siqueira e sua equipe, então, trabalharam com a técnica de "set extension" –ou seja, eles ampliaram as pistas e arquibancadas gravadas in loco depois, virtualmente.

Foram cerca de mil profissionais de efeitos especiais, espalhados por empresas de países como Índia, China, Estados Unidos e Canadá, num enorme intercâmbio de conhecimento e tarefas. Elas produziram, junto com escritórios brasileiros, pelo menos 1.600 planos de efeitos especiais.

"Montamos um estúdio próprio, num cantinho do autódromo, de tela verde. Ali não gravamos as cenas em si, apenas elementos para compor os cenários, como as arquibancadas, de três mil pessoas. O volume produzido foi enorme", diz Siqueira.

"Em países como o Brasil e no resto da América Latina, saindo do eixo industrial de produção dos Estados Unidos, precisamos encontrar soluções criativas, até por uma limitação de verba. Essa experiência nos ajudou, porque mesmo um projeto enorme como 'Senna' tem suas limitações –e quanto maior o orçamento, maiores os problemas que temos que administrar."
O repórter viajou a convite da Netflix

Senna
Quando: Estreia nesta sexta (29), na Netflix
Classificação: 16 anos
Elenco: Gabriel Leone, Marco Ricca e Kaya Scodelario
Produção: Brasil,

Publicidade

Geoparque impulsiona a interiorização do turismo no Rio Grande do Norte

A diversificação dos atrativos turísticos nos estados nordestinos para além do sol e mar tem sido uma discussão antiga. Nesse contexto, os geoparques Araripe, no Ceará, e Seridó, no Rio Grande do Norte, têm demonstrado como a valorização de patrimônios geológicos pode estimular a interiorização do turismo no Brasil. Ao atrair visitantes para regiões afastadas dos grandes centros urbanos, essas iniciativas impulsionam o desenvolvimento econômico e geram novas oportunidades de negócios no interior.

O assunto foi destaque nas discussões do Seminário de Turismo Rural – Encontro Geoparque Seridó, que apresentou práticas do segmento e dados sobre investimentos no empreendedorismo rural. Para Solange Portela, secretária de Turismo do Rio Grande do Norte, o Geoparque Seridó é uma ferramenta para promover o conhecimento de outros atrativos localizados no interior do estado.

“Dessa forma, trazemos um olhar para o turismo regional, que incrementa o setor como um todo e pode gerar ocupação ao longo de todo o ano. Nesse sentido, precisamos criar diferenciais e desenvolver produtos personalizados, como as soluções de turismo de base comunitária”, afirmou Solange. Para ela, uma governança fortalecida é o grande diferencial para o desenvolvimento sustentável da região.

O Geoparque Seridó se destaca pela diversificação das opções de lazer e pela promoção da preservação ambiental. Com o apoio do Sebrae e de parcerias público-privadas, a região tem investido em infraestrutura turística e capacitação de profissionais locais, o que fomenta a economia em municípios distantes das capitais.

Reconhecido pela UNESCO desde 2020, o Geoparque Seridó abrange seis municípios: Currais Novos, Parelhas, Lagoa Nova, Cerro Corá, Acari e Carnaúba dos Dantas. São aproximadamente 2.800 km², onde vivem cerca de 120 mil habitantes.

De acordo com Marcos Nascimento, coordenador do Comitê Científico do Geoparque Seridó, as transformações já são visíveis. Na cidade de Cerro Corá, antes do geoparque, havia apenas uma pousada e um bar/restaurante. Hoje, o município conta com oito pousadas e sete bares ou restaurantes. Em Lagoa Nova, o número de leitos passou de cerca de 150 para mais de 400 nos últimos anos.

Para João Hélio Cavalcanti, diretor técnico do Sebrae-RN, o compromisso com o turismo rural e o desenvolvimento sustentável é essencial. “Tratar um tema como esse exige seriedade e comprometimento com cada equipamento e iniciativa sustentável. Nosso futuro depende disso. Se cada empreendedor somar esforços, podemos transformar a realidade dos negócios. Nosso compromisso no Sebrae é exatamente nesse sentido”, reforçou.

Geopark Araripe: turismo comunitário e preservação ambiental

Outro exemplo é o Geopark Araripe, localizado na região do Cariri, no Ceará, reconhecido pela UNESCO como o primeiro geoparque das Américas em 2006. O território abrange 3.779 quilômetros quadrados e inclui seis dos principais municípios da região: Missão Velha, Barbalha, Juazeiro do Norte, Santana do Cariri, Nova Olinda e Crato. Atualmente, o geoparque trabalha com 11 geossítios prioritários, mesmo contando com mais de 50 pontos de visitação. A escolha desses locais busca preparar os sítios de interesse para gerar maior impacto social e minimizar os impactos ambientais.

Sobre o impacto do geoparque na interiorização do turismo, alguns dados ressaltam essa transformação, como explica Rafael Soares, coordenador científico do Araripe. Juazeiro do Norte, por exemplo, atrai mais de 2 milhões de visitantes anualmente, um público que inicialmente se concentrava no turismo religioso, mas que agora também busca as atrações do geoparque. Além dos roteiros religiosos, muitos romeiros se interessam por atividades de ecoturismo, como visitas às fontes, à Chapada do Araripe e ao Museu de Paleontologia, considerado o carro-chefe do geoparque.

Durante o RuralTur, foi destacada uma iniciativa inovadora do geoparque: os chamados “museus de território”. Esses museus são espaços vivos, sem paredes, integrados às comunidades locais e ao circuito comunitário. Eles possibilitam o desenvolvimento de estratégias de ecoturismo e turismo de aventura, como a prática de rapel, sempre com a participação ativa das comunidades. “O turismo de base comunitária é fundamental nesse processo, pois as comunidades oferecem serviços como hospedagem, alimentação e transporte para os visitantes”, explicou Soares.

“Assim como no Geoparque Seridó, o Geopark Araripe promove a interiorização do turismo e diversifica a oferta além do tradicional turismo de sol e praia. O geoturismo combina ciência e cultura, dinamizando segmentos como turismo comunitário, criativo, rural, esportivo e de aventura”, concluiu Soares.

RuralTur 2024

A 20ª edição da RuralTur, Feira Nacional de Turismo Rural, acontece de 21 a 23 de novembro, na cidade de Currais Novos, no Largo do Coreto O Guarani, em um espaço de 6 mil m². O evento, que reúne mais de 4 mil pessoas, conta com 50 estandes e expositores de 8 estados brasileiros. Realizado pelo Sebrae-RN, em parceria com o Governo do RN e a Prefeitura de Currais Novos, a feira está consolidada como referência no setor, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento econômico e sustentável das áreas rurais por meio de uma programação rica e diversificada.

Publicidade

68,1 milhões de consumidores estavam inadimplentes em outubro no Brasil

A inadimplência atingiu 68,1 milhões de consumidores em outubro, o que representa 41,2% dos brasileiros adultos, segundo a CNDL/SPC Brasil.

A faixa etária com o maior percentual de devedores é a de 30 a 39 anos (23,7%). De acordo com a estimativa, são 16,84 milhões de pessoas registradas em cadastro de devedores nesta faixa, ou seja, metade (49,6%) dos brasileiros desse grupo etário estão negativados.

A participação dos devedores por sexo é bem distribuída, sendo 51,21% mulheres e 48,79% homens.

Cada consumidor inadimplente devia em outubro, em média, R$ 4.425,73 a, em média, duas empresas.

Os dados mostram também que 30,9% tinham dívidas no valor de até R$ 500. Eram 15,6% com débitos acima de R$ 7.500.

Em relação ao setor credor, o que concentra a maior parte das dívidas é o de bancos, com 64,9% do total. Na sequência, aparece o comércio (10,5%) e água e luz com 10,4%.

Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está no Centro‐Oeste, onde 44,5% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, a que tem o menor é a região Sul, onde 36,7% da população adulta está negativada.

Publicidade

Projeções de gastos com Previdência têm alta de R$ 31 bi ao longo do ano

Imagem da notícia

ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA. DF (FOLHAPRESS) - As projeções de despesas com a Previdência Social subiram R$ 31 bilhões ao longo deste ano, apesar do programa em curso de pente-fino e melhoria da gestão dos gastos com o pagamento dos benefícios implementado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A alta leva em conta o previsto na lei orçamentária e os dados do 5º Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas do Orçamento de 2024, enviados ao Congresso nesta sexta-feira (22). O valor dos gastos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) do Orçamento são aprovados pelo Congresso, mas essencialmente definidos pelo Executivo.

Entre o 1º e o 5º relatórios, o salto das estimativas dos gastos com benefícios previdenciários foi de R$ 25,4 bilhões, de acordo com os dados oficiais.

"Está havendo em 2024 um erro grosseiro das projeções. É uma variável que no passado se acertava muito de perto", afirma o pesquisador associado do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Fabio Giambiagi.

O pesquisador lembra que ele e outros especialistas em contas públicas alertaram desde o início do ano para os dados subestimados das despesas da Previdência Social e a necessidade de medidas para conter seu crescimento.

Para ele, a imagem do Ministério do Planejamento fica comprometida com o erro em mais de R$ 30 bilhões nas projeções.

É com base nos dados dos relatórios bimestrais (março, maio, julho, setembro e novembro) que o governo aponta a necessidade de bloquear despesas para o cumprimento do teto de gastos, e contingenciar a fim de não estourar a meta fiscal de resultado das contas públicas.

O novo aumento nas despesas com a Previdência, retratado no relatório, reflete uma execução de gastos acima do esperado e uma redução nas estimativas dos impactos financeiros das ações de melhoria de gestão dos benefícios –uma das principais apostas do governo para conter a trajetória dessa despesa.

No início do ano, o governo esperava uma economia de R$ 10 bilhões com o programa, valor que caiu para R$ 9 bilhões, em julho, e depois a R$ 6,8 bilhões, em setembro. Os dados de novembro só serão conhecidos na segunda-feira (25).

"Houve um erro e espero que não se repita em 2025, porque é muito ruim para o sistema de planejamento", diz. Para o ano que vem, o governo já anunciou uma economia de R$ 25,9 bilhões em despesas com benefícios sociais, que passarão por um pente-fino e aperto nas regras.

Além disso, um pacote de contenção do crescimento de gastos está em elaboração no governo e deve ser anunciado na semana que vem, após seguidos adiamentos.

Especialista em Previdência Social, Giambiagi vê também negligência do Ministério da Previdência no controle do auxílio-doença, o chamado benefício por incapacidade temporária.

"O auxílio-doença foi uma variável que fugiu completamente ao controle e certamente a responsabilidade é do Ministério da Previdência por ter deixado isso acontecer", critica.

"Em qualquer empresa privada, se tem uma despesa que normalmente é 100 e, no mês passa a ser 102, o gerente passa a olhar com cuidado. Se no mês seguinte passa a ser 104, o presidente fica sabendo. Se um mês depois sobe para 106, o gerente é demitido", acrescenta. Na sua avaliação, o aumento dos gastos com o benefício mostram uma fiscalização frouxa.

Giambiagi prevê que as projeções mais altas vão impactar o projeto de Orçamento do ano que vem, que será votado ainda pelo Congresso. Para 2025, o governo estimou no projeto um gasto de R$ 1 trilhão com os benefícios do INSS.

SEM CORTE DE GASTOS
Na expectativa das medidas do pacote do governo, o pesquisador critica a imprensa ao usar o termo corte de gastos para se referir ao pacote fiscal.
"A imprensa está comendo mosca na linguagem utilizada. Ela fica falando o tempo todo de corte e o coitado do leitor acha que vai se gastar menos do que se gasta hoje. Não vai. O gasto continuará aumentando. O que estamos falando é do perfil do gasto", alerta.

Segundo o pesquisador, o pacote do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem o único e exclusivo fim de abrir espaço fiscal para que as despesas discricionárias não sejam enxugadas excessivamente.

Ele lamenta que hoje a discussão seja se o salário mínimo vai aumentar 2,5% ou 3% ao ano, em referência a uma das principais medidas em discussão no governo para limitar o ganho real do piso nacional, com o objetivo de alinhar a política de valorização às regras do arcabouço fiscal –cujo limite de despesas tem expansão real de 0,6% a 2,5% ao ano. "É uma medida tímida", avalia.

Economia 23/11/2024 Notícias no Minuto
Publicidade

Bolsonaro terá benefício em prescrição de crimes ao fazer 70 anos em 2025

Imagem da notícia

FLÁVIO FERREIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completará 70 anos em março de 2025 e a partir daí cairão pela metade os prazos de prescrição dos crimes de que é acusado, caso eventuais condenações ocorram após ele ultrapassar essa idade.

Na investigação em que Bolsonaro foi indiciado sob a acusação de participar da trama de um golpe de Estado, outros dois principais investigados já têm mais de 70 anos e também se beneficiarão na mesma hipótese: o ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Para a Polícia Federal, as apurações mostraram a prática dos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito e organização criminosa.

A prescrição se consuma quando é ultrapassado o prazo legal para que o acusado seja eventualmente processado e punido pelo Poder Judiciário.

Segundo a advogada e professora de direito penal do Insper Tatiana Stoco, a redução pela metade do prazo prescricional para quem tem mais de 70 anos vale a partir da fixação das penas em sentença.

O cálculo da prescrição nesse momento processual é realizado com base em uma tabela fixada no artigo 109 do Código Penal.

A título de exemplo, caso seja imposta a Bolsonaro uma pena intermediária de seis anos no delito de tentativa de abolição do Estado democrático de Direito (a punição vai de quatro a oito anos de reclusão), o prazo prescricional, sem considerar a idade, seria de 12 anos.

Porém, se essa eventual condenação ocorrer depois de ele completar 70 anos, o prazo cai para seis anos.

De acordo com a técnica penal, o próximo passo seria verificar se esse período de seis anos não foi extrapolado entre duas balizas temporais: a data do recebimento da denúncia criminal pela Justiça e a data da publicação da sentença condenatória.

Nessa hipótese, se o intervalo for maior que seis anos, a prescrição se consuma e o condenado se livra da aplicação da pena.
Quanto ao local do cumprimento das penas, a legislação em geral não prevê diferenciações para os condenados com idade avançada, segundo a advogada e conselheira do Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo) Maria Elizabeth Queijo.

Porém, o Judiciário pode aliviar o regime dos sentenciados nos casos de riscos à saúde.

"Se ele [condenado] tiver problemas de saúde devidamente documentados, objeto de laudo médico que ateste que a permanência dele no ambiente de prisão pode acarretar risco para saúde, aí nesse caso pode haver a conversão para prisão domiciliar", diz a advogada.

Tatiana Badaró, advogada e professora do Centro de Estudos em Direito e Negócios (Cedin), em Belo Horizonte, também afirma que não há regras gerais relativas a idosos que devem cumprir penas de prisão, mas o Judiciário pode beneficiar sentenciados com a saúde debilitada.

Caso seja processado e condenado pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito e organização criminosa, Bolsonaro poderá ficar inelegível por mais de 30 anos.
Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita desses delitos na quinta-feira (21).

O ex-presidente já foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é alvo de diferentes outras investigações no STF (Supremo Tribunal Federal). Neste momento, ele não pode disputar eleições ao menos até 2030.

A pena máxima do crime de tentativa de golpe de Estado é de 12 anos de reclusão, a de tentativa de abolição do Estado de Direito é de 8 anos e a de organização criminosa é de 8 anos. Ou seja, a soma chega a 28 anos de prisão.
Esse total não leva em consideração eventuais pedidos de acréscimo de pena em razão de circunstâncias agravantes e combinação de condutas criminosas apontadas pela PF.

Segundo Fernando Neisser, advogado e professor de direito eleitoral da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo, depois de cumprida a pena, conta-se ainda oito anos de inelegibilidade em razão da aplicação de punição prevista na Lei da Ficha Limpa.

Hoje Bolsonaro tem 69 anos. Na hipótese de ser condenado em definitivo nesse caso e nessas condições em 2025, por exemplo, ele ficaria inelegível até 2061, quando teria 106 anos.

Fonte: Clique Aqui

Publicidade

Abel Ferreira prega humildade após Palmeiras voltar ao topo: 'Faltam três batalhas, não uma'

Imagem da notícia

A vitória sobre o Atlético-GO, combinada com o empate do Botafogo frente ao Vitória, recolocou o Palmeiras novamente na liderança do Campeonato Brasileiro. No entanto, o técnico Abel Ferreira adotou um discurso cauteloso ao analisar a situação. A tabela reserva ainda um duelo contra o time carioca na próxima rodada. Diante desse cenário, o treinador português ficou na defensiva.

"Falei para vocês que a nossa final era contra o Atlético-GO. Se não ganhássemos aqui não valeria de nada. Agora temos o Botafogo pela frente, que tem um time brilhante. Mas faltam três batalhas, não uma", afirmou o treinador sobre os confrontos que restam para o término do torneio.

Empatados em pontos com o time carioca (70), mas líder por ter uma vitória a mais, Abel não quis saber de favoritismo e lembrou os tropeços que o Palmeiras acumulou ao longo da temporada para justificar a sua linha de pensamento.

"Fomos eliminados na Libertadores por um dos finalistas. Caímos na Copa do Brasil para o time que foi campeão. A disputa do Campeonato Brasileiro está palmo a palmo. Sabemos é que temos um grande rival do outro lado que vem fazendo um grande trabalho", comentou.

Por fim, Abel disse qual a prioridade da equipe agora até a partida da próxima jornada contra o Botafogo. O encontro está marcado para terça-feira, às 21h30, no Allianz Parque. "Temos que recuperar os nossos jogadores. O calendário está cada vez mais pesado e repito o que já falei uma vez: nossos atletas não são máquinas", disse.

Fonte: Clique Aqui

Publicidade

Pai de Neymar espera ver filho em boa fase no Mundial e revela: 'Nunca esteve tão livre'

Imagem da notícia

O pai de Neymar Jr. se manifestou pela primeira vez sobre os rumores da rescisão de contrato do filho com o Al-Hilal. O empresário afirmou que o atacante está muito feliz na Arábia Saudita e espera vê-lo bem para a disputa do Mundial de Clubes da Fifa, marcado para julho de 2025. Ele acredita que o clube saudita não vai se desfazer do craque brasileiro justamente por causa do torneio, que será disputado nos Estados Unidos.

"Qual é o maior projeto do Al Hilal? É o Mundial, é a coisa mais importante. Terá todos os clubes, e o Al Hilal estará nesse campeonato, conquistou essa vaga. Eles já têm uma das maiores estrelas que eles poderiam ter para disputar isso. Um cara experiente nesse tipo de competição. Por isso, eles não abriram mão do segundo ano de contrato com o Neymar", explicou Neymar da Silva Santos, em entrevista ao podcast "Roundcast".

O futuro de Neymar ainda é uma incógnita. Após ficar mais de um ano se recuperando de grave lesão no joelho esquerdo, o atacante foi diagnosticado com um problema na coxa e não deve mais entrar em campo neste ano. Segundo a imprensa saudita, o Al-Hilal cogita encerrar o contrato do atleta antes do fim do vínculo, assinado até junho de 2025, pelo baixo custo-benefício. Neymar ganha mensalmente aproximadamente R$ 100 milhões.

Com a volta de Neymar programada para janeiro, o empresário entende que o mercado se abrirá naturalmente. Ele diz ainda que esta será a primeira vez na carreira em que o atacante terá a oportunidade de escolher onde irá jogar. O Santos, clube responsável por revelar o craque, é o principal interessado.

"A gente nunca fez planos. O único plano que a gente fez foi chegar no Barcelona. O resto... O PSG foi uma coisa maluca, que virou um turbilhão, e do nada, quando a gente viu, estava saindo. O Al-Hilal também. Coisas que foram acontecendo", comentou.

"Ele (Neymar Jr.) vai estar livre para decidir. A gente nunca esteve tão livre para decidir para onde a gente iria. E eu ter um cara com 32 anos, livre na minha mão, é um presente para qualquer empresário".

Fonte: Clique Aqui

Publicidade

Verstappen conquista tetracampeonato mesmo chegando em 5º; Russell vence o GP de Las Vegas

Imagem da notícia

Max Verstappen é tetracampeão mundial de Fórmula 1. A conquista, que é também a sua quarta consecutiva, foi neste domingo, durante o Grande Prêmio de Las Vegas, em que largou e chegou em quinto lugar. Seu principal concorrente, Lando Norris, da McLaren, terminou a prova em sexto.

A vitória do GP foi do britânico George Russell, sua segunda do ano e a terceira na carreira. Completando o pódio, Lewis Hamilton chegou em segundo, garantindo a dobradinha da Mercedes, e Carlos Sainz, em terceiro.

Com o resultado, Verstappen chegou aos 403 pontos ante 340 de Norris. Restando duas etapas e 60 pontos em disputa, o holandês se tornou inalcançável e pôde comemorar seu quarto título com a Red Bull. O circo da Fórmula 1 agora segue rumo ao Oriente Médio. No próximo fim de semana, acontece o GP do Catar, em Lusail. Na semana seguinte, a temporada se encerra nos Emirados Árabes Unidos, com o GP de Abu Dabi.

O GP de Las Vegas teve início com uma boa largada de Russell e com a ultrapassagem de Charles Leclerc, inicialmente em quarto lugar, sobre Pierre Gasly.

Enquanto isso, Yuki Tsunoda e Oscar Piastri travavam uma disputa pela sétima posição. Kevin Magnussen e Liam Lawson protagonizaram briga similar pelo 12º lugar, ficando lado a lado ao final da primeira volta.

Franco Colapinto, que teve o carro destruído após atingir o muro durante a qualificação no sábado, largou dos boxes. A maioria dos pilotos deu preferência aos pneus médios no início da corrida. Pérez, Bottas e Colapinto saíram com pneus duros, e Alonso foi o único a largar com pneus macios.

O começo da corrida também coincidiu com o fim da boa sorte de Pierre Gasly. Ainda na 16ª volta, o francês, que largou em segundo e conseguiu pódio no GP de São Paulo, reclamou de falta de potência. Com fumaça saindo de seu carro, retornou aos boxes e abandonou a corrida.

Alexander Albon também deixou a prova por causa de problemas na unidade de energia.

As duas Mercedes lideraram durante toda a corrida: Lewis Hamilton largou em 10º, mas subiu oito posições. Faltando sete voltas para o fim, Verstappen estava em quarto lugar entre as duas Ferraris, mas Leclerc conseguiu tomar a posição do holandês na 47ª volta.

Lando Norris, que poderia desbancar o piloto campeão mundial, largou e chegou em sexto.

Pelo mundial de construtores, no entanto, a Red Bull, de Verstappen e Sergio Pérez, está em terceiro lugar, com 555 pontos. Agora, McLaren e Ferrari estão separadas por apenas 24 pontos. A escuderia britânica soma 608 na liderança, enquanto os italianos têm 584 pontos.

MAIS UM TÍTULO PARA VERSTAPPEN

Max Verstappen conquista o título em uma temporada de superação diante dos problemas enfrentados pela Red Bull. O holandês deu a impressão no início do ano de que conseguiria repetir - ou se aproximar - do feito de 2023, em que venceu 19 das 22 corridas. No entanto, o ano se desenhou de outra forma.

Depois de vencer na Espanha, em junho, sua sétima prova em 2024, Verstappen encarou um longo de jejum de vitórias. Enquanto os bons resultados não vinham, a experiência do tricampeão mundial pesou.

Nesse período de 10 Grandes Prêmios sem subir no lugar mais alto do pódio, o holandês teve como pior posição em uma prova o sexto lugar. Já seu principal concorrente, Lando Norris, venceu somente duas corridas (Holanda e Cingapura).

Mas no último Grande Prêmio de São Paulo, Verstappen recuperou o ânimo com uma prova memorável. Largando do fim do pelotão, o holandês contou com uma estratégia perfeita para, sob chuva, ganhar a corrida no Autódromo de Interlagos. Em 2024, o tetracampeão ainda venceu os GPs do Bahrein, Arábia Saudita, Japão, China, Ímola e Canadá.

Confira a classificação final do GP de Las Vegas de F1

1.º - George Russell (ING/Mercedes), em 1h22min05s969

2.º - Lewis Hamilton (ING/Mercedes), a 7s313

3.º -Carlos Sainz (ESP/Ferrari), a 11s906

4.º -Charles Leclerc (MON/Ferrari), a 14s283

5.º -Max Verstappen (HOL/Red Bull), a 16s582

6.º - Lando Norris (ING/McLaren), a 43s385

7.º - Oscar Piastri (AUS/McLaren), a 51s365

8.º - Nico Hulkenberg (ALE/Haas), a 59s808

9.º - Yuki Tsunoda (JAP/RB Honda), a 62s808

10.º - Sergio Perez (MEX

Publicidade
Publicidade

Municípios afirmam que não têm dinheiro para “Barreira Ortopédica”

Financeiramente, é inviável para os municípios da Grande Natal arcar com parte dos custos da “Barreira Ortopédica”, serviço que o Governo do Estado pretende implantar para atender casos de baixa e média complexidades, de modo que acabe com as filas de espera nos corredores do Hospital Walfredo Gurgel. É o que alegam os gestores municipais consultados pela TRIBUNA DO NORTE. Além da indisponibilidade de recursos, a resistência à proposta se fortalece quando alguns desses já financiam esse tipo de serviço com orçamento próprio ou cobrem serviços que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap/RN) não estaria pagando.

A “barreira ortopédica” está sendo discutida, inclusive, no âmbito judicial. A intenção é que esteja disponível em até três meses. O custo estimado é de R$ 900 mil por mês, sendo 40% desse montante a contrapartida do Estado e 60% rateado entre os municípios, o que resultaria em cerca de R$ 540 mil divididos entre as prefeituras. O serviço contaria com uma sala de pequenos procedimentos, sala de gesso e um centro cirúrgico simples, capaz de realizar intervenções em fraturas fechadas e outras condições de menor gravidade. Isso ajudaria a impedir, segundo o Governo, a chegada de pacientes com esse quadro mais simples no Walfredo Gurgel, que poderia atender melhor os casos graves.

Nessa sexta-feira (22), a Sesap realizou uma visita técnica no Hospital Belarmina Monte, em São Gonçalo do Amarante, que está cotado para concentrar esses procedimentos na região. Além disso, a governadora Fátima Bezerra convocou os prefeitos desse e dos municípios de Macaíba, São José de Mipibu, Ceará-mirim, Parnamirim, Extremoz e São Gonçalo do Amarante, para uma reunião onde o problema será discutido na próxima terça-feira (26). Contudo, ela deverá enfrentar resistência, mesmo com a mediação do Ministério Público. Entidades como o Conselho dos Secretários de Saúde (Cosems) e a Federação do Municípios do Estado (Femurn) rechaçam a ideia.

A Prefeitura de Ceará-Mirim, por exemplo, informou em nota enviada à TRIBUNA DO NORTE que está disposta a ajudar, desde que haja alguma compensação. “Ceará-Mirim não concorda em assumir mais nenhum tipo de despesa que é de responsabilidade do Estado. Não por não querer ajudar, mas por não ter recursos suficientes para isso. Caso ocorra, será comprometido seriamente o sistema de saúde do Município, inclusive, com possibilidade de atraso de salários. O Município está aberto para ajudar. Vamos dialogar e encontrar uma forma de compensar o Município. Terça-feira serão debatidas as possibilidades”, destaca o texto.

Em São José de Mipibu, o secretário municipal de Saúde, Jeferson Oliveira, criticou a ideia de ratear os custos e sugeriu que o Governo tenha projetos para a área, como nos estados vizinhos, que possuem ou estão viabilizando hospitais de trauma. “Aqui, nada se resolve, lembrando que o governo recebeu R$ 2 bilhões durante a pandemia e não fez nenhum equipamento de saúde para essa finalidade”, disse.

O gestor avalia que a superlotação do Walfredo não se deve apenas ao atendimento de média e baixa complexidade da ortopedia. “Há filas nas cirurgias de trauma de alta complexidade, onde os pacientes demoram muito para serem transferidos e realizarem suas cirurgias”, pontuou o secretário.

Jeferson relembra que o Walfredo também é referência em urologia e as urgências cirúrgicas relacionadas a essa especialidade se acumulam e agravam a situação. Outro exemplo que ele cita e que contribui para a ineficiência da rede hospitalar são as internações de pacientes psiquiátricos, diante da redução brusca dos leitos nessa especialidade. “Quando o paciente não fica em surto psiquiátrico em casa, gerando risco para si e para a família, eles ficam internados por longo tempo em pronto-socorros municipais”, destaca o secretário mipibuense.

Dívidas do Estado devem ser discutidas

No momento em que o Governo do Estado discute a divisão dos custos para a criação de um serviço de barreira ortopédica na Grande Natal, municípios querem trazer à mesa a discussão em torno de repasses não realizados pelo Estado na área da saúde. O presidente da Federação dos Municípios (Femurn) e prefeito de Lagoa Nova, Luciano Santos, sugere que seja negociada uma espécie de encontro de contas. “São os repasses da Farmácia Básica, por exemplo, que é uma discussão de muitos anos e que a gente entende que isso será um dos embates trazidos pelos prefeitos. Isso porque, entre o valor da Farmácia Básica e esse serviço que o Estado propõe, pode haver uma compensação”, disse ele.

O secretário municipal de Saúde de Macaíba, Júnior Rêgo, aponta outra situação. “Nós nunca recebemos o incentivo da UPA, porque a UPA é cofinanciada, sendo 50% do Governo Federal, 25% do Governo Estadual e 25% do município. O Governo Federal cumpre a sua parte, mas o Governo Estadual nunca repassou nenhum recurso para o incremento da nossa rede de urgência e emergência através da UPA”, disse.

Além disso, ele reforça que a cidade já oferece serviços de ortopedia de baixa e média complexidades. “Nós temos uma sala de ortopedia, dois ortopedistas contratados pelo município. Temos uma sala de gesso, fazemos esse procedimento ambulatorial na nossa própria rede com 27 especialistas”, destaca.

Rêgo diz que Macaíba é responsável por cerca de 3% dos pacientes que chegam ao Walfredo Gurgel, o que não justificaria um alto investimento do município nessa proposta, considerando ainda os repasses que a Sesap não tem feito. “Daria uma média de R$ 76 mil para Macaíba. Hoje a gente não tem a disponibilidade desse recurso, até porque, já assinamos o TCTF (Termo de Cooperação Técnica Financeira) das cirurgias e da parte ambulatorial, que é realizada em Natal”, pontua.

Júnior Rêgo diz que a gestão macaibense entende a necessidade da implantação da barreira ortopédica, mas sugere que a Sesap poderia ampliar o serviço no Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho (HRAMF), que é de competência estadual. “Inclusive tem dois centros cirúrgicos, um que está funcionando para a parte materno-infantil e outro está parado, esperando equipamentos”, explica Júnior Rêgo, sugerindo que o serviço funcione lá, em vez de ser implantado em São Gonçalo.

As prefeituras citadas pelo Governo foram procuradas pela reportagem, mas não houve retorno dos municípios de Extremoz e São Gonçalo do Amarante. Já Parnamirim informou que vai aguardar a comunicação oficial do Estado para depois se reunir com a Sesap e adotar providências.

Femurn e Cosems são contra a divisão de custos

Em nota conjunta, a Femurn e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do RN (Cosems-RN) se posicionaram contra a ideia. As entidades destacaram que a responsabilidade constitucional do financiamento do SUS é tripartite e que a Constituição estabelece valores mínimos a serem aplicados em ações e serviços de saúde, devendo ser no mínimo 12% dos recursos próprios do estado e 15% dos municípios.

Citam ainda que um estudo realizado pela Frente Nacional de Prefeitos revelou que os municípios potiguares aplicam acima do mínimo constitucional em saúde, chegando em alguns casos a 35%, enquanto que os valores aplicados pelo Estado situam-se próximo ao mínimo estabelecido, chegando a 12,63% em 2023, o menor da Região Nordeste. Outro ponto é o repasse do Governo Federal que chegou, entre junho e outubro/2024, a R$ 259,5 milhões, de acordo com deliberações da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) no período, com a finalidade de custear a rede estadual.

Os presidentes da Femurn, Luciano Santos e do Cosems, Maria Eliza Garcia, afirmam que as entidades “defendem o fortalecimento dos hospitais regionais para amenizar essa situação, como uma das alternativas mais sustentáveis”. Eles discordam da escolha pelo hospital de São Gonçalo por avaliarem ser de difícil acesso para os demais municípios, além de ser “de natureza privada sem fins lucrativos, sem habilitação para a área de ortopedia, enquanto os estaduais são habilitados pela Rede de Urgência e Emergência para tal função.”

Uma proposta apresentada na reunião da última terça-feira (19) entre a Sesap e os gestores municipais, foi para os deputados do estado também colaborarem. “Minha sugestão foi que a Assembleia Legislativa, através de emenda coletiva dos deputados, pudesse também contribuir. Os procedimentos da tabela do SUS não têm reajuste há 20 anos. A bancada federal precisa votar para reajustar essa tabela”, propôs o deputado Dr. Bernardo, membro da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (ALRN).

Governo lamenta posição da Femurn

O Governo do Rio Grande do Norte disse lamentar o posicionamento da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) e do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do RN (COSEMS) sobre a proposta de incluir os municípios no financiamento do Plano Emergencial para conter a superlotação no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.

Para o Governo do Estado, é importante manter a cooperação interfederativa, e por isso, tem demonstrado compromisso com os municípios ao assumir custos que, muitas vezes, são de responsabilidade exclusiva dos gestores municipais. “É importante esclarecer que a responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde (SESAP) é de ser condutora das políticas públicas, bem como, de forma complementar, garantir acolhimento de todos os pacientes que necessitem de atendimento hospitalar no Estado, especialmente em casos graves, de alta complexidade”, disse em nota.

De acordo com a proposta, haverá a criação de um consórcio para dividir as despesas entre os entes envolvidos. O custo mensal para que o serviço seja organizado é estimado em R$ 900 mil e o Governo se propôs a arcar com 40% do custo, o restante seria distribuído entre os municípios, sendo Parnamirim R$ 199 mil; São Gonçalo do Amarante R$ 78 mil; Macaíba: R$ 76 mil; Ceará Mirim R$ 69,4 mil; São José do Mipibu R$ 69,2 mil; e Extremoz R$ 45,5 mil.

O Governo do RN ainda disse que a construção do Hospital Metropolitano, com 350 leitos, será licitada ainda este ano, o que contribuirá decisivamente para desafogar o Hospital Walfredo Gurgel e melhorar o atendimento à população.

Publicidade