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Família perde principal fonte de renda ao ter casa inundada após lagoa de captação transbordar na zona Norte de Natal
Na madrugada da última sexta-feira (14), com as fortes chuvas em Natal, a lagoa de captação Jardim Primavera, em Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte da capital, transbordou e inundou as casas dos moradores da rua Rizomar Correia dos Santos.
Mesmo com medo da água invadir sua casa, a autônoma Daniela Barbosa (38), ainda confiava na proteção, de cerca de meio metro de altura, que havia colocado no portão feita com tijolos e cimento. Mas não foi suficiente para impedir a inundação que devastou sua residência e a lanchonete, principal fonte de renda da família.
Há menos de um mês, Daniela alugou a casa e conseguiu estabelecer um ponto de vendas de lanches na garagem. Além da água ter entrado pela porta da frente, o banheiro e o ralo da residência também transbordaram. A mulher e os três filhos passaram aquela noite com a água acima da cintura e tentando salvar algum pertence.
“Eu perdi toda forma de ganhar o pão, a chapa de fazer baurú, os acendedores foram embora com a água e não tinha como ir atrás pra pegar porque tinha que segurar as crianças e os animais para não se afogarem. Nós perdemos todas as roupas, pois ficaram podres. Mesmo lavando com amaciante elas ficaram com odor muito forte”, relata Daniela.
Para além das perdas materiais, também surgiram os traumas emocionais. Nos vídeos divulgados nas redes sociais e também disponibilizados para a redação da 98, é possível ver onde a água chegou e os filhos de Daniela assustados com a situação.
“O mais novo (de quatro anos) está traumatiado. Ele não pode ouvir uma zoada de água e começa a chorar dizendo ‘mainha, a chuva, a chuva’. Isso é muito triste! A gente está devastado, sem saber o que fazer, por onde começar”, desabafa a autônoma.
Para conseguir recomeçar, Daniela pede ajuda por meio da chave pix (84) 99892-7272 ou no no link da Vakinha virtual.
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Série D: América empata em 1 a 1 com Treze/PB
O América empatou em 1 a 1 com o Treze/PB na partida que aconteceu na noite deste domingo (16), na Arena das Dunas, pela 9º rodada do Campeonato Brasileiro Série D. O gol que abriu o placar foi feito pelo jogagor do Alvirrubro, Wenderson, aos oito minutos do segundo tempo.
O Treze/PB, por sua vez, alcançou o empate ao final do jogo no estádio. O gol foi feito pelo Galo aos 40 minutos do segundo tempo, com lance do jogador Wanderson.
A bola rolou no cenário em que o Alvirrubro já acumulava uma vitória, dois empates e uma derrota nos últimos quatro jogos. Já o Treze veio de uma série de 3 vitórias e 1 empate.
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Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, volta a exercer influência na Petrobras
João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, voltou a ter influência na Petrobras. Preso por 4 anos pela Operação Lava Jato, ele participou das escolhas de indicados a cargos relevantes da estatal. A informação foi publicada pelo jornalista Lauro Jardim e confirmada pelo site Poder360.
Pedro Barusco, ex-gerente de serviços da Petrobras, disse em delação premiada que Vaccari Neto havia recebido propina em nome do PT no esquema de corrução na estatal. O ex-tesoureiro do PT foi preso preventivamente em abril de 2015 na 12ª etapa da Operação Lava Jato. Foi condenado por corrupção passiva e ficou na prisão até 2019, quando foi solto para cumprir a pena em regime semiaberto, usando tornozeleira eletrônica.
Em janeiro de 2024, Vaccari Neto teve a condenação anulada pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Vaccari Neto tem 65 anos. Nasceu no Paraná, mas se mudou quando criança para São Paulo. Filho de agricultores, atuava no movimento sindical desde os 18 anos e, em 1983, participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Vaccari Neto entrou para o antigo Banespa (Banco do Estado de São Paulo) em 1978, como escriturário. Se tornou presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região de 2000 a 2005. Foi presidente também do Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) de 2004 a 2010.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ironizou o envolvimento do ex-tesoureiro do PT na Petrobras. “O amor voltou sem vergonha alguma de ser feliz!”, declarou.
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Denúncias de violência contra idosos no Brasil crescem 38%; País registra média de quase 500 casos por dia
Nos cinco primeiros meses deste ano, o país registrou 74.239 denúncias de violências contra a pessoa idosa, um aumento de 38%, comparado ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
Em média, quase 500 idosos por dia estariam passando por um cenário de desrespeito aos direitos humanos.
Dessas denúncias, 64.868 (87%) são de casos em que vítimas com idade avançada passaram por uma situação de abandono, agressão, maus-tratos e/ou até mesmo tortura.
No RN foram registrados 1.297 casos de janeiro a maio de 2024, segundo dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
Canais de denúncia
Caso um idoso seja vítima de violência, ele próprio ou uma pessoa que tiver conhecimento do crime pode telefonar para o disque 100. Não é necessário se identificar.
O serviço de atendimento — coordenado pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos — é gratuito, sigiloso e opera 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive nos fins de semana e feriados.
Também é possível registrar a denúncia no site da Ouvidoria, aplicativo para smartphones Direitos Humanos, aplicativo Telegram (basta digitar na busca “Direitoshumanosbrasil”) e WhatsApp no número (61) 99611-0100.
O canal também possui atendimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras). As denúncias após registro são encaminhadas aos órgãos competentes para apuração.
Os cidadãos podem buscar ajuda, orientação e denunciar em outros locais, a exemplo das unidades básicas de saúde (UBS) e delegacias de polícia.
Para situações de risco iminente de violência, ligue para o telefone 190 da Polícia Militar do seu estado.
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Estupros contra menores aumentam 106% no RN
Casos reincidentes de violência sexual contra crianças e adolescentes, prisão de abusadores e operações de combate ao abuso infantojuvenil invadem diariamente o noticiário e apontam para uma realidade ainda não captada em sua totalidade. Apenas nos últimos quatro anos, o crime de estupro de vulnerável contra menores de 0 a 17 anos cresceu 106% no Rio Grande do Norte. Enquanto em 2020 foram registrados 439 casos, em 2023 chegou a 907. Para especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE, a estimativa é que esse número seja ainda maior devido a subnotificação de situações de violação de menores.
Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesed/RN) e apontam, ainda, para o registro de 251 casos de estupro apenas de janeiro a maio deste ano. De acordo com a delegada Helena de Paula, da Delegacia Especializada na Proteção da Criança e do Adolescente (DPCA) de Natal, os números de abusos sexuais contra menores ainda é camuflado pela subnotificação e em muitas situações isso se deve ao fato de que os agressores são pessoas próximas ou da família da vítima, dificultando a denúncia. Outro ponto em comum, sobretudo no público infantil, é a ausência de consciência do menor de que está sendo violado.
Nos últimos anos, contudo, ela observa que a implantação de duas novas DPCA’s no Estado, localizadas em Parnamirim e Mossoró, somada às novas Delegacia da Mulher (DEAM’S) que acolhem a faixa-etária infanto juvenil são algumas medidas que favoreceram a chegada de mais casos às autoridades. “Esse movimento de conscientização por parte dos órgãos de saúde, de fazerem a notificação à delegacia desses casos para que sejam apurados, também é muito relevante porque muitos não chegam à Polícia”, conta a delegada.
O assessor técnico do Cedeca Casa Renascer, instituição voltada à defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes no Estado, Gilliard Laurentino, diz que a subnotificação é um desafio para a rede de proteção e que é observada em dados nacionais. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a estimativa é que apenas 10% dos crimes chegam à política pública, seja por meio das secretarias de saúde, delegacias, conselhos tutelares, ou assistência social. O Ministério da Justiça, por sua vez, evidencia um percentual ainda menor de 7,5%.
Laurentino adverte, nesse sentido, que o cenário de violação contra menores no Estado é ainda pior. Por conta disso, principalmente a partir dos anos 2000, o país vem buscando incentivar iniciativas para a denúncia, o que pode explicar a crescente de registros dos crimes. É o caso da campanha Faça Bonito, que mobiliza o país anualmente de abril a maio. “A gente tem esses dois caminhos: o primeiro é que está chegando mais [notificação] porque estamos fazendo mais denúncias, [enquanto o segundo] é que a gente não sabe o real, estatisticamente falando, em 90% dos casos”, esclarece.
Nas DPCA’S do Estado, observa a delegada Helena de Paula, as denúncias chegam pelos disques-denúncia 100 e 180, conselhos tutelares, escolas e relatos espontâneos de vítimas que procuram as unidades. Uma vez identificados os crimes, a Polícia Civil inicia medidas urgentes com foco na retirada do menor do contexto de violência e sua proteção durante as investigações. É o caso dos pedidos de prisão preventiva e encaminhamento da criança para uma instituição de acolhimento, sendo esta última mais comum nas situações que o agressor convive com a vítima no mesmo ambiente.
Perfil das vítimas e estrutura da rede
Se, por um lado, poucos casos chegam à política pública, por outro, a rede de atenção às vítimas atende menos do que deveria. O último boletim do Ministério da Saúde sobre as notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes, publicado em 2023, aponta que até dezembro de 2021 o Rio Grande do Norte contemplava apenas 23 serviços de atenção às pessoas em situação de violência Sexual. O dado engloba a atenção integral às pessoas em situação de violência, atenção ambulatorial, Interrupção legal da gravidez e coleta de vestígios.
Gilliard Laurentino, do Cedeca Casa Renascer, analisa que o número é baixo e está associado, ainda, à desarticulação da rede de atenção à saúde na notificação dos casos de vítimas de violência. O resultado disso não poderia ser outro: a divergência entre as informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) com os das delegacias, assistência social e do conselho tutelar.
Segundo ele, o cenário resulta da frágil capacitação dos profissionais para lidar com casos de violência sexual, além da pouca distribuição e infratesturtura dos serviços para permitir o trabalho adequado. “Quando a gente olha para o território de Natal, a gente tem um conselho tutelar para cada região, para uma quantidade de população muito alta”, aponta.
Seguindo a realidade nacional, no Cedeca as pessoas assistidas são majoritariamente adolescentes do sexo feminino e que passaram pela reincidência da violência. De acordo com Gilliard Laurentino, o principal foco da instituição está em acolher e fornecer atendimento na área de psicologia às vítimas, a fim de que elas aumentem a capacidade de ressignificação e resiliência.
Apesar dos projetos serem voltados para o acolhimento das vítimas no período de seis meses a dois anos, há casos em que a criança/adolescente sai mais cedo e outros em que ela ultrapassa o tempo estipulado devido às dificuldades para encarar os traumas. “Têm um fenômeno que também nos chocou muito: normalmente, ela sai do Cedeca por uma ressignificação da violência, mas sua audiência é anos depois. E aí naquele período, a gente sabe que ela vai ter uma recaída”, complementa.
A psicóloga Fabiana Lima, que atua na Maternidade Januário Cicco (Mejc/UFRN/Ebserh), referência no acolhimento de vítimas de violência do sexo feminino a partir dos 12 anos, adverte que na maioria dos casos as crianças e adolescentes desenvolvem estresse pós-traumático, dores de cabeça, tonturas, quadros de ansiedade, fobias, medos e podem tentar o suicídio. O quadro é intensificado, muitas vezes, pelo fato de que a maior parte dos agressores são pessoas próximas ou da família. Nesses contextos, o receio da retaliação tende a aumentar.
Para auxiliar nos cuidados dos pacientes, o projeto “Proama” da Mejc conta com atendimento multiprofissional. A equipe reúne psicólogos, médicos, enfermeiros e assistente social que atuam na escuta e identificação das melhores formas de intervir em cada situação junto às vítimas. Em sua maioria, as adolescentes já chegam até à Maternidade encaminhados por outros serviços, como as unidades básicas de saúde (UBSs) e conselhos tutelares. Dentro dessa busca por atendimento, vale apontar, muitas delas sofrem com a desinformação e migração por variados serviços até serem atendidas.
Ela reitera ser indispensável qualificar continuamente os profissionais de saúde e ampliar a melhor articulação da rede. “A saúde tem seu papel, mas precisa estar trabalhando em conjunto com todos os outros, para que o acompanhamento e a garantia de direitos se efetive e essa criança e adolescente possa sair desse lugar de violência”, argumenta.
Embora reconheça o trabalho desenvolvido pelo Hospital Universitário Ana Bezerra (Huab/UFRN/Ebserh) junto a outros serviços como o Creas, Jacicleuma Márcia da Silva, assistente social na Unidade, também defende a habilitação de mais serviços. “Para uma pessoa se deslocar, por exemplo, 200/300 km para um atendimento dessa natureza é difícil, então se tivéssemos outros pontos considero que conseguiremos fortalecer um pouco mais a assistência”, completa.
A delegada Helena de Paula vai um pouco além e explica ser preciso, além das políticas de acolhimento à criança e ao adolescente, iniciativas direcionadas à educação sexual nas escolas. Isso porque esses espaços geralmente são os únicos freqüentados pelas vítimas fora do contexto de agressões e, a partir de campanhas e iniciativas de acolhimento, favorecem a revelação espontânea das crianças e adolescentes sobre o que estão passando.
Números
Estupros de menores de 0 a 17 anos no RN:
2020: 439
2021: 519
2022: 666
2023: 907
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Dez anos depois, Natal aguarda parte do legado da Copa de 2014
Há 10 anos, Natal era uma das cidades-sede da Copa do Mundo e isso trouxe promessas de mudanças na sua infraestrutura, com obras de mobilidade urbana, potencialização dos setores econômicos e novos equipamentos, como o Aeroporto na região Metropolitana e o surgimento do que seria o novo “palco das emoções” da capital, a Arena das Dunas. Após uma década, a capital potiguar pode contar com parte do legado prometido ao recber partidas do mundial, mas nem todo o potencial prometido pôde ser aproveitado.
A começar pelo Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, que foi construído em São Gonçalo do Amarante, distante cerca de 18km de Natal. Incluído na Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo de 2014, o terminal aéreo substituiu o Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, a 16km da capital, que após a última reforma em 2012 chegou a uma capacidade 5,8 milhões de passageiros por ano. A capacidade do novo aeroporto é de 6,5 milhões de passageiros por ano, mas atualmente, o fluxo não corresponde ao previsto, com uma diferença de mais de 4 milhões do que se esperava.
Tanto é que o Consórcio Inframérica, que arrematou a concessão do equipamento, anunciou o interesse de deixar o terminal em 2020, alegando ter investido R$700 milhões em infraestrutura e estar enfrentando dificuldades. Em 2019, existia a expectativa de um fluxo de passageiros de 4,3 milhões, mas o número registrado foi de 2,3 milhões.
A Zurich Airport assumiu o terminal neste ano de 2024, por R$320 milhões, no primeiro processo de relicitação do país. A companhia diz que já investiu R$ 8,4 milhões, entre melhorias, processos e aperfeiçoamento de atendimentos e afirma que existe uma equipe dedicada em buscar a ampliação de voos para aumentar o fluxo. “Todos os equipamentos de grande porte são construídos com perspectiva de longo prazo e temos certeza do crescimento no movimento”, destacou em nota.
A chegada do aeroporto foi bem recebida devido as grandes projeções da época. No entanto, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), Abdon Gosson, acredita que a baixa movimentação para implantação de novos destinos pode justificar o que chama de “subutilização” do terminal. “O Governo e entidades precisam fazer o trabalho de promoção e divulgação para aguçar o prazer de visitar o nosso destino. Agora se tem um Aeroporto, mas não aparece nenhuma opção nova de voo. Não podemos ficar só entre Natal, São Paulo e Brasília”, analisa.
A construção de um novo Aeroporto, exigiu melhorias na infraestrutura do seu entorno para facilitar a conexão com as demais áreas da capital e possibilitar melhor infraestrutura aos visitantes. O Governo do Estado e a Prefeitura do Natal apresentaram, em conjunto, ao Ministério das Cidades um pacote de 18 obras prioritárias. Contudo, pelo menos quatro delas, até este mês de junho, ainda não foram entregues. É o caso da reestruturação da Avenida Roberto Freire, Corredor Zona Norte/Arena das Dunas, Avenida Jerônimo Câmara, requalificação da Avenida Felizardo Moura e a adaptação de novas calçadas. Essas duas últimas estão em andamento, com previsão de finalização em julho e agosto, respectivamente.
Impulso ao comércio e turismo interrompido
Entre os setores que seriam beneficiados pela alta demanda gerada pela Copa do Mundo em Natal, estava o Comércio e o Turismo. Naquele ano da Copa, um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN) apontou para um crescimento de 3,2% do varejo potiguar em 2024. Em comparação a Paraíba, estado vizinho que não recebeu jogos da copa, a diferença foi de 0.6 ponto percentual, equivalendo a R$ 16,8 milhões a menos por lá. Somente no período em que os quatro jogos ocorreram, a movimentação ultrapassou os R$ 330 milhões no RN.
Na hotelaria, outro segmento fortemente impactado, a rede teve uma ocupação média de 85%, superior ao que era registrado normalmente nos meses de junho, que costumava ficar em 65%. Quando a capital do estado foi anunciada como cidade-sede do mundial, o então presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), Habib Chalita, chegou a dizer que a competição na capital seria um “tiro no pé”.
Hoje, ele reanalisa seu posicionamento. “Na época precisávamos ter 35 mil leitos cadastrados para podermos concorrer como sede. Colocamos mais de 40 mil, e ficamos preocupados se Natal teria condições. E Natal teve condições. Abrimos um grande mercado”, avalia Chalita, que hoje preside o Sindicato de Hotéis, Restaurantes Bares e Similares do Rio Grande do Norte (SHRBS-RN).
Em 2014, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também sentiu esse impacto positivo, com destaque em áreas turísticas, como Ponta Negra e demais praias centrais, além do entorno da Arena das Dunas. “Em Ponta Negra, o maior faturamento anual acontece no mês de janeiro. Nos 15 dias da Copa, foi vendido o equivalente a um mês de janeiro inteiro”, relembra Max Fonseca, que era presidente da entidade na época.
Contudo, o bom resultado nesses setores naquele período não resistiu à crise econômica que chegaria um ano depois em todo o Brasil. Em termos de Produto Interno Bruto (PIB), a retração da economia brasileira em 2015 (estimada pelo mercado em 3,62%) se consolidou como o pior resultado em 25 anos.
Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio RN na época e ainda no cargo, diz que, diante da cries, a Copa ajudou o estado a ter uma retração menor do que a estados vizinhos, como a Paraíba, cujo índice caiu 10.3% frente a 3.8% no RN. “Isso nos leva a entender que eventos como este são importantes para o desenvolvimento econômico, mas precisamos de estratégias de longo prazo para sustentar esse crescimento e superar as adversidades”, avalia.
Para o presidente da ABIH, Abdon Gosson, o legado da copa foi “muito pouco” em todas as cidades-sede e aponta a falta de priorização do turismo pelos governos Federal e Estadual, além da falta de segurança e transporte público . “Nós não temos hoje aquela intenção fortemente provocada pela Copa para o turista do mundo em relação ao destino Brasil”, pontua.
Arena das Dunas diversificou atividades
Palco das partidas da Copa do Mundo realizadas no RN, o estádio Arena das Dunas, hoje chamado de Casa de Apostas Arena das Dunas, é uma das heranças deixadas pelo mundial. Seus gramados receberam quatro jogos da fase inicial com as seleções do México, Itália, Uruguai, Estados Unidos, Camarões, Japão, Grécia e Gana. Desde então, o equipamento se tornou espaço também para o entretenimento no formato de arena multiuso. Ao longo desses dez anos, o empreendimento contabiliza 1.949 dias de ocupação, 1.749 eventos, 343 partidas de futebol e um público total de 6,1 milhão de pessoas.
Ricardo Ferreira, diretor-presidente da Casa de Apostas Arena das Dunas, diz que, ao longo dos anos, foram aplicados investimentos em inovação, qualidade e excelência operacional. “A Arena das Dunas também é a única do país no segmento de Arenas Multiuso a possuir o selo internacional ISO 55001, que atesta sua excelência operacional na gestão e manutenção dos seus ativos”, explica.
De 2011 a 2020, o equipamento movimentou uma renda na ordem de R$ 1,4 bilhão. Os dados estão no relatório publicado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em 2021. A geração de riqueza gerada pela movimentação econômica no Valor Bruto da Produção chegava a R$ 1,8 bilhão em alcance nacional.
Postos de trabalho
Já passaram pela Arena 42.360 profissionais autônomos, 470 colaboradores contratados e seguem ativos 100 postos de trabalho com 18 empresas de consultoria e modernos softwares de gestão. “O nosso objetivo é seguir explorando novas áreas comerciais, ampliando a atuação não apenas no número de eventos, mas também nas diversas outras frentes, como, por exemplo, na sua estrutura corporativa, onde teremos grandes novidades em breve”, antecipa Ricardo Ferreira.
Para quem deseja vivenciar e relembrar a experiência da Copa do Mundo em Natal, é possível contratar o “Arena Tour”, uma visita guiada que passeia pelos principais setores do estádio.