Química, simpatia e só: Brasil segue sob tarifas de 50% impostas por Trump

Após mais de um mês do encontro em que rolou uma “química” entre o presidente Lula e o republicano Donald Trump, as negociações sobre o tarifaço de 50% vigente sobre exportações brasileiras desde agosto não apresentaram nenhum avanço concreto. Entre afagos e gentilezas, as conversas entre os diferentes níveis dos dois governos têm patinado e colecionado anúncios de novas tratativas, ainda sem data para acontecer.

O enredo do “namoro” começa a ficar arrastado. Ao “esbarrão” de 39 segundos entre os líderes no intervalo dos discursos na Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, seguiu-se uma conversa por teleconferência e a expectativa, verbalizada por Lula, de que o “problema com os Estados Unidos” seria resolvido.

O otimismo prevaleceu com o encontro presencial entre os presidentes em meio à cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) na Malásia, em outubro, celebrado como uma vitória da estratégia de não ceder às pressões políticas americanas e de reafirmar a soberania brasileira. “Estou convencido de que em poucos dias teremos uma solução”, reafirmou Lula na ocasião.

Na sequência, as delegações do Brasil e dos Estados Unidos reuniram-se em Kuala Lumpur para dar início à fase técnica das negociações. O secretário de Estado Marco Rubio — considerado uma pedra no caminho das negociações por questões ideológicas — havia acompanhado os presidentes no encontro e era esperado na reunião, mas não compareceu, sem explicação oficial.

Do lado brasileiro, participaram o chanceler Mauro Vieira e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa; do lado americano, estiveram presentes o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer.

Vieira reiterou o pedido brasileiro de retirada temporária das tarifas de 40%, com a manutenção apenas das tarifas recíprocas, de 10%. A expectativa era por um anúncio da suspensão para todos os produtos ou mesmo para setores específicos, em especial sobre a carne e o café, que vêm pressionando os preços no mercado americano e incomodando os importadores.

Nada, no entanto, ficou decidido. Os negociadores concordaram apenas em abrir um calendário de reuniões e no compromisso de “construir um acordo”. Uma nova reunião entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em Washington com seus homólogos americanos estava prevista para esta semana, mas foi adiada sem nova data.

Na última quinta-feira, Greer disse que o governo dos EUA está “analisando o formato” do possível acordo comercial com o Brasil, mas esse processo poderia demorar “algumas semanas ou meses”. Ainda segundo ele, os EUA querem “ter certeza de que os brasileiros estejam prontos para colaborar”.

Só "química" não garante negociação para redução de tarifas

Enquanto a diplomacia aguarda sinais de Washington, o setor produtivo reage com cautela. Na prática, a avaliação é que, apesar de bem-vinda, a suposta “química” entre os dois presidentes é insuficiente para garantir uma boa negociação.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, representante de diversos setores junto às contrapartes americanas, resume a percepção do momento: “Primeiro, tem que baixar as expectativas, porque não está nada garantido”, diz. “Nem mesmo [as isenções] pra café e carne. A negociação [entre Trump e Lula sobre temas estratégicos] também vai bem longe. Então, eu não esperaria nenhuma resolução de curto prazo.”

“Acho que essa química é uma coincidência”, diz Jackson Campos, especialista em comércio exterior. “Eles se encontraram e o Trump decidiu negociar porque o lobby das empresas brasileiras nos Estados Unidos está chegando ao governo americano. Trump negociaria de qualquer forma, já que está ouvindo do empresariado que as tarifas estão pesando.”

Para José Velloso, presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a questão não se resume à “química” ou a vontade de fazer o acordo. “O problema é que, dentro das prioridades dos EUA, ainda não chegou à vez do Brasil.” “Não somos a prioridade para os Estados Unidos.” A atual agenda da Casa Branca, lembra, está voltada principalmente à redefinição das relações com a China e às disputas tecnológicas com a União Europeia e o Sudeste Asiático.

Big Techs, terras raras e etanol na mesa para negociação das tarifas

Outro entrave apontado pelos empresários é a falta de clareza sobre a possibilidade de atender ao pleito americano: “Não sabemos o que os Estados Unidos vão realmente colocar na mesa para que o Brasil possa reagir”, diz a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Maria Teresa Bustamante, que também não acredita em novidades sobre o tema este ano.

Entre os interesses americanos já conhecidos estão as garantias de segurança para big techs, em meio a tensões sobre as propostas brasileiras de regulação mais rígida dessas empresas — medidas que o governo Trump interpreta como ataques à liberdade corporativa e até como uma forma de “roubo” de recursos das companhias americanas.

Os EUA também buscam acesso a minerais raros e ao mercado brasileiro de etanol. Do lado brasileiro, o governo já acenou com a possibilidade de reduzir as tarifas sobre o etanol americano, cuja alíquota atual é de 18%. É uma concessão significativa, já que enfrenta forte resistência política e lobby de produtores nacionais.

“Pragmaticamente, faz sentido o que está sendo negociado”, avalia Vito Villar, coordenador de Comércio Internacional da BMJ Consultores. “Mas não é possível, nesse momento, encontrar uma temporalidade. Pode levar semanas ou meses. É importante destacar que nenhum país conseguiu de fato um bom acordo. Isso leva a crer que o Brasil, que entrou na rota de crítica direta de Trump por meses, também tenha dificuldade em alcançá-lo.”

"Trump tem as cartas"

O apetite dos EUA dependerá, em grande medida, do cenário político interno. No momento, Trump enfrenta pressões com o risco de shutdown (paralisação da máquina administrativa) do governo e queda de popularidade. Villar considera difícil que o objetivo brasileiro — a redução total das tarifas aplicadas — seja alcançado.

“Embora essa hipótese não esteja fora da mesa de negociação, o mais provável é um meio-termo, com possíveis novos produtos incluídos nas listas de exceção em troca de concessões brasileiras”, diz.

Arno Gleiser, presidente da Câmara de Integração e Comércio Brasil–Estados Unidos (Cisbra), acredita num acordo parcial mais rápido e outro no longo prazo. “Foi assim com a China: eles fizeram um waiver de um ano”, diz.

No último dia 30, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, chegaram a um acordo durante a cúpula da Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), na Coreia do Sul, após semanas de tensão e ameaças de novas tarifas. O tratado estabelece uma trégua de um ano na disputa comercial entre os dois países: os Estados Unidos reduzirão tarifas sobre produtos chineses, enquanto a China se comprometeu a ampliar a compra de soja americana e ambos concordaram em aliviar controles de exportação.

Velloso ainda é o mais otimista. Acha que o desfecho pode variar entre “a retirada total dos 40%, a redução para 10% ou a adoção de uma tarifa parecida com a da Europa, de 15%, além de um possível aumento nas exceções”, afirma, confiante de que “alguma coisa deve acontecer nos próximos 90 dias”.

Até lá, Trump vai continuar avaliando o desgaste interno para decidir. Segundo um líder empresarial que não quis ser identificado, como um "bom negociador", Trump vai continuar “cozinhando” o Brasil sobre um acordo comercial enquanto interessar. Embora relevante como fornecedor de commodities, o país é peça secundária no tabuleiro. Além disso, analistas avaliam que Trump já alcançou uma parte do que desejava do Brasil, para sinalizar à China que tem alternativas na América do Sul.

O mesmo empresário afirma que é impossível saber exatamente o que vai sair das negociações — e nem quando. “O ‘timing’ vai ser dado por Trump, é ele quem tem as cartas”, diz. “Mas, independentemente do que vier, não será fruto da ‘química’ entre Lula e Trump, mas do esforço do empresariado brasileiro, que tem atuado fortemente junto às contrapartes americanas. “São os empresários dos Estados Unidos que têm pressionado a Casa Branca para a revisão das tarifas.”

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Castro justifica operação que matou 120 do Comando Vermelho ao STF: “Foi necessária”

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, saiu em defesa da Operação Contenção, ação policial que deixou mais de 120 mortos na semana passada. Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele afirmou que a intervenção foi necessária diante das barricadas montadas por criminosos do Comando Vermelho (CV) perto de escolas e postos de saúde.

A audiência entre Castro e o ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF das Favelas, aconteceu nesta segunda-feira (3), no Rio. O governador explicou que os confrontos foram concentrados em áreas de mata para evitar tiroteios próximos a áreas residenciais e proteger a população.

Segundo Castro, o Estado precisou agir contra uma facção de “perfil narcoterrorista”, exercendo o que chamou de “poder-dever de proteção da sociedade”. Para ele, a operação respeitou o Estado de Direito, a legalidade e a defesa da vida, ao mesmo tempo em que reafirmou o compromisso das forças de segurança com a transparência e os direitos humanos.

A declaração de Castro reforça a postura firme de seu governo no enfrentamento do crime organizado no Rio, em contraste com a visão de setores críticos que questionam operações de grande impacto. Para o governador, medidas duras são a única saída para conter a escalada de violência nas comunidades dominadas pelo CV.

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MPF denuncia advogado por chamar Lula de “ex-presidiário” nas redes sociais

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o advogado pernambucano Thomas Crisóstomo por suposto crime de injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após publicações críticas nas redes sociais. A investigação foi aberta após um pedido do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, à Polícia Federal.

Em 2023, Crisóstomo afirmou em seu perfil do X que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) havia se tornado um cabide de emprego “para mulher do ex-presidiário”, em referência à primeira-dama, Janja Lula da Silva. "Bolsonaro não privatizou a EBC para fazer cabide de emprego e agora ela virou cabide de emprego para mulher do ex-presidiário Lula", dizia o post.

À Gazeta do Povo, o advogado disse ver a ação como uma forma de censura a críticas feitas por “pessoas comuns” contra o governo nas redes sociais. “Até porque meu alcance nas redes sempre foi muito pequeno”, destacou. A denúncia foi apresentada em outubro e tramita na Justiça Federal de Pernambuco. Crisóstomo relatou que aguarda ser intimado para apresentar sua defesa no processo.

No documento, a procuradora Polireda Medeiros afirmou que o suposto delito foi consumado quando o presidente soube dos “comentários desonrosos”, o que ocorreu a partir de um ofício encaminhado pelo MPF ao Ministério da Justiça.

Em seguida, o ministro Ricardo Lewandowski pediu à Polícia Federal que investigasse se o advogado havia cometido crimes contra a honra do presidente. Procurada pela Gazeta do Povo, a pasta disse que não pode se manifestar porque os inquéritos policiais correm em sigilo.

Segundo Crisóstomo, a própria PF “concluiu que não houve crime, mas o MPF ainda assim fez a denúncia”. Ele foi ouvido e confirmou ser o responsável pelo perfil onde a mensagem foi veiculada, mas afirmou que não teve o propósito de ofender, argumentando que apenas veiculou fatos públicos, notórios e verídicos a respeito do presidente.

“Não é possível que as pessoas possam ser perseguidas penalmente por criticar políticos”, acrescentou o advogado, que rejeitou a proposta do MPF para firmar um acordo de não persecução penal (ANPP).

O MPF imputa a Crisóstomo a prática do crime de injúria, com os agravantes de ter sido divulgado em redes sociais e devido à vítima ser o presidente da República. A procuradora argumenta que atribuir a alguém a qualidade de “ex-presidiário” ofende a honra subjetiva da vítima, repercutindo em sua autoestima.

Segundo ela, a liberdade de expressão não protege manifestações ofensivas a terceiros ou falsas. O MPF pede a condenação do advogado e que a Justiça Federal fixe um valor mínimo de indenização por danos morais. Em 2018, Lula foi preso após ser condenado em segunda instância no âmbito da Operação Lava Jato. Ele foi solto após 580 dias de prisão, em 8 de novembro de 2019.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, a primeira instância da Lava Jato, para julgar processos que envolviam o petista, anulando a validade de todas as provas.

A Corte não analisou o mérito das ações contra Lula, mas determinou que elas deveriam começar do zero na Justiça Federal do Distrito Federal, o que não ocorreu, pois os processos sobre o tríplex e sítio de Atibaia prescreveram.

O MPF também mencionou na denúncia publicações do advogado com críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, hoje aposentado da Corte. Nos posts, Crisóstomo afirmou que o “Min. Cabeça de Ovo tem promovido censura”, em referência a Moraes, disse que “Barroso é uma excrescência do Judiciário”.

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MARIO SABINO: Megaoperação no Rio: Lula é o mais perdido em meio ao tiroteio

Por Mario Sabino – Metrópoles

Lula está perdido em meio ao tiroteio. Não sabe como se posicionar em relação à megaoperação policial no Rio de Janeiro, que causou a morte de 121 pessoas, quatro delas policiais. As cenas, ontem, variaram do simplesmente patético ao esta noite se improvisa.

Vamos ao patético. Ao lado do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse em entrevista coletiva que foi informado com antecedência sobre a megaoperação a ser conduzida pela polícia fluminense e que não quis que a PF participasse dela.

Como Ricardo Lewandowski já havia dito que o governo federal não sabia de nada, Andrei Rodrigues foi interrompido pelo ministro, que tentou emendar mal e porcamente o soneto diante das câmeras. Péssimo.

Lula despachou, então, ministro e séquito para uma reunião com o governador Cláudio Castro, no Rio de Janeiro. Depois da conversa, decidiu-se que seria criado um “escritório emergencial” com o objetivo de integrar as esferas estadual e federal para combater o crime organizado no estado. Tenta-se, assim, neutralizar as acusações feitas ao Palácio do Planalto de ausência em relação ao crônico problema de segurança no Rio de Janeiro. Esta noite se improvisa.

Ato contínuo, o presidente da República correu para sancionar a lei que endurece o combate às facções criminosas, aprovada havia quase um mês no Congresso.

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China, Venezuela, STF e Magnitsky: os recados de Trump que frustram oba-oba de Lula

Após uma reunião presencial privada de 45 minutos entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil na Malásia, apoiadores do governo Lula foram rápidos em cantar vitória, como se a crise na relação entre os países tivesse sido superada num passe de mágica, graças ao carisma e à química do governante brasileiro.

Dentre os mais entusiasmados, estava o senador Humberto Costa (PT-ES): “Eita que a química só aumenta”. Outro petista, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), seguiu a mesma linha eufórica ao comentar a fotografia do aperto de mãos: “Tem coisa que nem a inteligência artificial consegue prever! Mas aconteceu: Lula e Trump lado a lado. Eu te entendo, Trump, é difícil resistir ao carisma do nosso presidente”. Já o presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, que chamou várias vezes Trump de “o maior fascista do século XXI”, celebrou dizendo que “o diálogo é sempre o caminho”.

Apesar de toda a empolgação dos petistas, de concreto, no entanto, houve apenas o agendamento de novas reuniões bilaterais. As sanções permanecem intactas, sem recuo por parte dos Estados Unidos nas condições impostas para revisão do tarifaço.

Fim do jogo de pôr a culpa nos outros

Na oposição, não faltaram ironias sobre o oferecimento de Lula para ser mediador do conflito entre EUA e Venezuela, no que seria uma tentativa de desviar a conversa de tópicos incômodos. "Lula encontra Trump e na mesa um assunto que claramente incomoda o ex-presidiário: Bolsonaro. Imagine o que foi tratado a portas fechadas?", questionou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente que está exilado nos EUA.

Como efeito residual do encontro, Lula agora terá de abandonar o discurso fácil de culpar Eduardo Bolsonaro pelo tarifaço, como vinha fazendo repetidamente. É a avaliação do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcanti: “Há meses o Brasil paga o alto preço da falta de humildade de um descondenado presidente que arrogantemente não quis negociar logo o tarifaço. Hoje está provado que a culpa é do descondenado Lula”.

O fato é que Trump tem demonstrado um tratamento diferenciado ao Brasil, tanto na inédita imposição de tarifas extras por perseguição judicial, como na aparente tolerância às críticas mais ácidas do presidente Lula e de seus aliados, que já classificaram o republicano como candidato a imperador do mundo e “maior líder fascista do século”.

Boa vontade de Trump visa não prejudicar disputas geopolíticas

Para o professor de Direito e Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Daniel Vargas, a primeira lição de Trump à comitiva brasileira é a de que ele não segue a tática do cancelamento típico da esquerda. “Trump não diz ‘eu vou emburrar e não vou mais falar com você’. Não é assim que ele jamais fez política, e não seria dessa vez”, sublinha.

A boa vontade aparente do líder americano em relação aos problemas brasileiros estaria ligada a aspectos geopolíticos relevantes envolvendo os embates com Venezuela e China. “Os Estados Unidos deslocaram o maior porta-aviões do planeta para o mar do Caribe. Isso não é apenas o esforço pontual de sinalizar uma ameaça. Já é mais do que isso. Ninguém move uma estrutura militar com essa envergadura para a beirada da Venezuela apenas para projetar poder. Há uma intenção dos EUA de ir além”, avalia Vargas.

Caso Trump realmente venha a intervir na Venezuela, acredita o docente da FGV, convém que isso ocorra no contexto de um canal de diálogo aberto com o Brasil, maior potência regional. Paralelamente, a disputa pelo acesso às terras raras, das quais China e Brasil têm as maiores reservas, também é peça-chave no tabuleiro. “Vejo que Trump está abrindo um canal para voltar a pressionar o Brasil, para que se afaste da China, para que se afaste da Venezuela e não ofereça guarida ou apoio a qualquer forma de proteção ideológica a governos da América Latina que estão em tensão com os EUA. Por isso, ele abre esse canal”, destaca Vargas.

Trump fala de Bolsonaro e Marco Rubio cita perseguição judicial

Na conversa com jornalistas antes da reunião, Trump enfatizou que há espaço para avançar na revisão das tarifas, desde que algumas condições que ele já havia colocado antes – como o fim da perseguição judicial a Bolsonaro – sejam atendidas. Trump voltou a elogiar Bolsonaro na entrevista – “Ele é um bom sujeito. Nós ficamos incomodados com as penas contra ele” – enquanto Lula se irritou quando perguntaram sobre o ex-presidente e pediu para encerrar a entrevista coletiva.

Quem foi encarregado por Trump a tratar dos temas políticos com a comitiva brasileira é o secretário de Estado, Marco Rubio. Na véspera do encontro na Malásia, Rubio destacou a parceria estratégica com o Brasil, mas não recuou em relação às condições para rever o tarifaço. “No longo prazo, acredito que é benéfico ao Brasil nos ter como parceiro comercial preferencial, em vez da China, por causa da geografia, por causa da cultura, por causa de um alinhamento em muitos aspectos. Mas, obviamente, temos alguns problemas com o Brasil, particularmente na maneira como alguns de seus juízes têm tratado o setor digital dos Estados Unidos e as postagens em mídias sociais de pessoas em solo americano. Teremos de trabalhar nisso, está tudo interligado”, afirmou Rubio.

Para além de aperto de mãos e poses sorridentes para fotos, o governo Trump está determinado a não deixar que a América Latina siga um trajeto de subordinação econômica e ideológica aos interesses de Pequim. Por isso mantém o canal de diálogo aberto com o governo brasileiro, apesar de ser um governo hostil e de esquerda, segundo o economista José Pio Martins. “Penso que mais do que o problema do Bolsonaro, a preocupação de Trump é com a Suprema Corte do Brasil agindo como a Suprema Corte da Venezuela. Isso é um experimento esquerdista de como implantar um regime autoritário via sistema judicial. Por outro lado, Trump sabe que regimes autoritários em países pobres acabam se alinhando a ditaduras esquerdistas, a começar pela China. E é perigoso para a própria segurança dos EUA ter isso na América do Sul, especialmente neste gigante que é o Brasil”, avalia.

Sem providências contra perseguição judicial, "chance zero" de fim das tarifas

Lula segue acreditando que os assessores conseguirão avançar naquilo que travou a conversa de alto nível: simplesmente tirar da mesa a “Tarifa Moraes”. Esse foi o apelido dado à maior parte do tarifaço de 50%, ligado à perseguição judicial a indivíduos e empresas, à violação dos direitos humanos e à agressão à liberdade de expressão. “Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, escreveu Lula na plataforma X. O governo americano, em contrapartida, não divulgou detalhes da conversa e Trump também não se manifestou sobre o assunto nas redes sociais.

Para conseguir a suspensão ou a revisão das tarifas, o governo Lula foge do tema de maior peso, conforme o próprio Trump, que é o fim da perseguição do judiciário brasileiro à Direita no país. E segue apostando em insistir apenas no componente econômico, argumentando que os Estados Unidos têm superávit com o Brasil e ótima relação histórica. Quais as chances de os EUA recuarem nas exigências e suspenderem a “Tarifa Moraes”, revogando a aplicação da Lei Magnitsky e o cancelamento de vistos de autoridades, sem que o Brasil avance em compromissos para interromper os abusos judiciais?

“É altamente improvável porque isso desmoralizaria os instrumentos que expressam a credibilidade do Estado americano. A imposição da Lei Magnitsky e o início de investigações comerciais são políticas de Estado. Creio que estes temas continuarão vivos, influentes, embora não possa dizer o peso que eles terão no encaminhamento de políticas entre os Estados Unidos e o Brasil. Os EUA não vão fazer isso (retirar sanções) como um ato de bondade para ninguém. A presença do Marco Rubio, ao lado de Trump, é uma sinalização de que a vertente ideológica continuará tendo prioridade nas decisões americanas”, conclui Daniel Vargas.

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Brasil registra 58 casos confirmados de intoxicação por metanol; mortes chegam a 15

O Brasil registra 58 casos confirmados e 15 mortes por intoxicação por metanol a partir do consumo de bebidas alcoólicas. Os dados são do balanço do Ministério da Saúde divulgado nesta sexta-feira, 24.

Os números apontam um salto no número de mortes em relação ao último boletim, divulgado na quarta-feira, 22, que registrava 10 óbitos – aumento de 50% em dois dias.

De acordo com a pasta, outras 50 ocorrências estão em investigação, enquanto 635 notificações suspeitas já foram descartadas.

São Paulo continua sendo o Estado com o maior número de casos: são 44 confirmações e 14 em investigação. Outros Estados com casos confirmados são Pernambuco (5 ocorrências), Paraná (6), Rio Grande do Sul (1), Mato Grosso (1) e Tocantins (1).

Em relação aos óbitos, São Paulo também lidera, com nove mortes. O Estado registrou dois óbitos nos últimos dias, assim como o Paraná. Pernambuco também teve mais uma vítima fatal da intoxicação.

Entre as mortes mais recentes está a do estudante Rafael dos Anjos Martins, que ficou internado por mais de 50 dias em coma no Hospital São Luiz, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Ele não resistiu e morreu na quinta-feira, 23.

No Paraná, um homem e uma mulher que estavam internados em Curitiba também morreram na quarta-feira, 22 – os óbitos não entraram no balanço divulgado naquele dia.

Outros nove óbitos seguem em investigação: quatro em Pernambuco, dois no Paraná, um em Minas Gerais, um no Mato Grosso do Sul e um em São Paulo. Outras 32 notificações de mortes foram descartadas.

O metanol é uma substância tóxica que não pode ser identificada pelo cheiro ou pelo sabor e não provoca alterações visíveis nas bebidas. Mesmo em pequenas quantidades, pode levar uma pessoa à morte.

Os sinais de intoxicação costumam aparecer entre seis e 72 horas após a ingestão e podem ser confundidos com os de uma ressaca. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, náuseas, vômitos, sonolência, falta de coordenação, tontura e confusão mental.

Entre as consequências mais graves estão dor abdominal intensa, alterações visuais (como visão embaçada, pontos escuros, sensibilidade à luz ou cegueira súbita), dificuldade para respirar, convulsões e coma.

Estadão Conteúdo

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Itamaraty teme que falas de Lula prejudiquem encontro com Trump

Integrantes do Itamaraty demonstram preocupação com possíveis efeitos das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do encontro com Donald Trump, marcado para domingo (26/10), na cúpula da Asean, na Malásia. Nos bastidores, diplomatas temem que comentários recentes possam azedar o clima da reunião entre os líderes.

A informação é da coluna do Paulo Cappelli, do Metrópoles. Ao falar sobre a Venezuela, Lula destacou que manter a América Latina e o Caribe como zona de paz é prioridade e afirmou que “intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”. Em outra ocasião, o presidente disse que quando Trump “ofendeu” e “sobretaxou” o Brasil, “a gente não abaixou a cabeça”, gerando apreensão entre auxiliares do governo.

Apesar da cautela, o Palácio do Planalto trabalha para que o encontro ocorra sem tensões. A expectativa é de que a conversa se concentre em melhorar as relações diplomáticas e discutir a redução das tarifas impostas pelos EUA, sem que temas como a Venezuela dominem o diálogo.

Desde o encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na última quinta-feira (16/10), Lula se manifestou publicamente três vezes sobre a relação com os Estados Unidos, reforçando o interesse do governo em preservar a proximidade diplomática e viabilizar avanços nos assuntos econômicos bilaterais.

Com informações do Metrópoles

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Flamengo vence no Maracanã e empata em número de pontos com Palmeiras

O Flamengo aproveitou o fator casa para derrotar o Palmeiras por 3 a 2, na tarde deste domingo (19) no estádio do Maracanã, e chegou aos mesmos 61 pontos do Verdão, que permanece na liderança do Campeonato Brasileiro pelo maior número de vitórias na competição.

Com este triunfo, o Rubro-Negro da Gávea ganha confiança para encarar a reta final da competição, na qual precisa tropeçar menos do que o time comandado pelo técnico português Abel Ferreira para ficar com o título nacional. Já o Palmeiras precisa se recuperar rápido desse revés para continuar lutando pela conquista do Brasileiro.

O jogo

Flamengo e Palmeiras protagonizaram um grande espetáculo para os mais de 71 mil torcedores que compareceram ao estádio do Maracanã. Nos primeiros movimentos da etapa inicial o Verdão criou as melhores oportunidade de abrir o marcador. E poderia ter aberto vantagem logo aos 2 minutos, caso o árbitro da partida assinalasse pênalti a favor do time paulista quando o volante Jorginho empurrou o zagueiro Gustavo Gómez dentro da área.

Porém, o Rubro-Negro conseguiu segurar a pressão inicial do Palmeiras e foi mais eficiente para ficar em vantagem aos nove minutos. O goleiro Rossi acertou lançamento para Pedro, que, com grande categoria, se livrou da marcação do zagueiro Bruno Fuchs antes de lançar em profundidade para Arrascaeta, que partiu em velocidade para bater na saída do goleiro Carlos Miguel.

O time do técnico português Abel Ferreira continuou buscando o ataque, e finalmente chegou ao seu gol aos 24 minutos. O lateral Khellven levantou a bola na área e Vitor Roque subiu mais do que Emerson Royal para cabecear para superar o goleiro argentino Rossi.

O confronto continuou aberto até os últimos minutos da etapa inicial, quando o Flamengo aproveitou desatenção da defesa palmeirense para conseguiu marcar outras duas vezes. A primeira foi aos 37 minutos, quando Bruno Fuchs calçou Pedro dentro da área. Pênalti para o Rubro-Negro, que voltou a ficar em vantagem novamente graças a uma cobrança perfeita do volante Jorginho. Depois, aos 44, quem falhou foi Anibal Moreno, que, na entrada da área, perdeu o domínio da bola para Pedro, que não perdoou diante de Carlos Miguel.

Na etapa final o Palmeiras tentou muito, e conseguiu descontar já nos acréscimos, com o zagueiro Gustavo Gómez, após grande jogada de Facundo Torres pela ponta esquerda. Fora isso, o Flamengo foi muito seguro para segurar a vantagem até o apito final.

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