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Depois que a casa caiu com a descoberta da conversa estarrecedora entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, no dia da primeira prisão do estelionatário, a doutora Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF, decidiu dar satisfações sobre o seu contrato com o Banco Master.
As satisfações não satisfazem. Vamos à primeira por ordem de relevância:
Em nota de esclarecimento à imprensa que a doutora Viviane divulgou nesta segunda-feira, ela afirma que o seu escritório fez 94 reuniões de trabalho com o Master e confeccionou 36 pareceres para o banco.
O comunicado diz que a sua equipe atuou na área de compliance do Master, ajudando a estruturá-la. A piada já veio pronta, nada a acrescentar.
A nota também afirma que, para além dos trabalhos para a área administrativa do banco, os causídicos auxiliaram na “análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais”, sem nunca ter representado o banco perante o STF. Não há explicação sobre a quais análises e estratégias o escritório se ateve.
Quem redigiu a nota fez um esforço tremendo para esticar o texto ao máximo, como se cada linha a mais pudesse justificar cada milhão embolsado pelo escritório. Veja-se o seguinte parágrafo, um clássico master de encheção de linguiça:
“Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração.”
De advocacia mesmo, tem-se “atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024”.
Vamos fazer uma continha de paradeiro: 94 reuniões, 36 pareceres e 2 atuações, uma em ação penal e outra em inquérito policial, em 22 meses de trabalho, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, período que consta na nota de esclarecimento.
Portanto, ao todo, entre reuniões, pareceres e atuações elencados na nota de esclarecimento,132 tarefas foram executadas.
Muito bem, o valor total do contrato de três anos era de espetaculares R$ 129 milhões (não há menção a dinheiro na nota); mas, como o Master foi liquidado, calcula-se que o escritório da doutora Viviane tenha recebido R$ 79,2 milhões, visto que a quantia mensal prevista no acordo era de R$ 3,6 milhões.
Deixando de lado os diferentes graus de complexidade das tarefas, isso significa que cada uma saiu pelo preço médio de R$ 600 mil, valor de apartamentos de médio padrão em São Paulo.
É um preço que só existe no mundo que parecia maravilhoso de Daniel Vorcaro, um especialista em fazer amigos caros em Brasília.
Supõe-se que a extraordinária evolução patrimonial da doutora Viviane, de R$ 24 milhões, no final de 2023, para R$ 79,7 milhões, no final de 2024, conforme publicou Lauro Jardim, o jornalista de quem Vorcaro queria “quebrar os dentes”, deva-se principalmente aos dividendos obtidos por meio do Master.
Ou seja, o contrato assinado com o banco, de um valor completamente atípico no mercado da advocacia brasileira, proporcionou à mulher de Moraes um lucro tão estratosférico, até mesmo estelar, que deveria ter acendido o alerta da área de compliance do banco, recém-implantada com a ajuda do escritório da doutora Viviane.
Vamos à segunda satisfação:
Como as emoções não param no Jardim Europa, a mulher de Moraes havia divulgado outra nota no sábado para dizer que não foi ela quem recebeu as mensagens de Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro.
É uma afirmação que só serviu para complicar a vida do ministro: se a advogada contratada a peso de ouro não foi consultada em momento tão crucial para o dono do Master, isso reforça a impressão de que o contratado por Vorcaro foi, na verdade, Moraes, não a advogada casada com ele.
O ministro era o destinatário das mensagens, não restam dúvidas, a doutora Viviane poderia ter poupado esforço. Ele até tentou negar na sexta-feira, mas o fez de maneira tão canhestra, que ficou ainda mais fácil para o jornal O Globo desmentir o desmentido de Moraes.
É que gente que acha que não deve satisfações a ninguém é muito ruim quando se vê obrigada a fazê-lo. E, pelo visto, contratou a assessoria de imprensa errada.
PS: doeu na alma que os cenários do noivado tão faustoso quanto fajuto de Vorcaro com a influencer tenham sido Villa Adriana e o Palazzo Colonna. O estelionatário conseguiu sujar até mesmo a história da minha Roma.

Quase metade das mortes violentas de mulheres no Brasil em 2024 foi cometida com arma de fogo, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz divulgado neste domingo (8).
De acordo com a pesquisa “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, 47% dos homicídios de mulheres registrados no país no ano passado foram cometidos com esse tipo de arma.
No total, 3.642 mulheres morreram em homicídios em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
O número inclui todos os óbitos classificados como homicídio, como agressões, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial.
O estudo aponta que os homicídios de mulheres caíram 5% entre 2020 e 2024. No mesmo período, as mortes de homens tiveram redução maior, de 15%.
As mortes de mulheres por arma de fogo também diminuíram 12% nesse intervalo. Mesmo assim, o instrumento continua sendo o mais utilizado nesses crimes.
Segundo a pesquisadora do instituto, Malu Pinheiro, o alto poder letal explica a predominância das armas. Em casos de feminicídio com arma de fogo, a vítima tem até 85% mais chances de morrer do que quando outros meios são utilizados.
Onde ocorrem
Os dados mostram que grande parte dos homicídios de mulheres ocorre em residências.
Em 2024, 35% das mortes aconteceram dentro de casa e 29% em vias públicas. Parte dos registros não informa o local da ocorrência.
Quando são excluídos os casos sem essa informação, 45% dos homicídios ocorreram em residências e 37% em vias públicas.
O estudo também aponta diferenças conforme o meio utilizado:
Entre 2020 e 2024, os homicídios de mulheres com arma de fogo dentro de casa caíram 19%. No mesmo período, as mortes em residência cometidas por outros meios aumentaram 16%.

O Rio Grande do Norte registrou 8 feminicídios entre janeiro e fevereiro de 2026, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte. O número representa aumento de 60% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 5 casos. As informações foram divulgadas pelo g1.
Nos últimos 5 anos, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, o estado registrou 100 feminicídios.
Nesse intervalo, apenas o primeiro bimestre de 2022 teve número igual ao registrado em 2026, também com 8 casos. Mesmo assim, 2022 terminou como o ano com menor número de feminicídios, com 18 registros.
Já em 2023, o estado contabilizou 24 casos. Em 2024 e 2025, foram registrados 19 feminicídios em cada ano.

Menos de 30% do conteúdo de um dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro já foi suficiente para que a Polícia Federal classificasse a situação como emergencial e acionasse o ministro do STF André Mendonça, relator do caso do Banco Master.
Com base apenas nesse material parcial, Mendonça decretou a prisão de Vorcaro. Segundo um auxiliar do ministro, o que foi analisado até agora representa apenas “uma gota no oceano”.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025. Na operação mais recente, realizada na semana passada, ao menos oito celulares do ex-banqueiro foram apreendidos. Somando os aparelhos recolhidos nas diferentes fases da investigação, a Polícia Federal tem hoje mais de 100 celulares sob perícia.
Parte do conteúdo vazado mantém o STF no centro da crise. A jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou que o ministro Alexandre de Moraes teria trocado mensagens de visualização única com Vorcaro no dia da primeira prisão do ex-banqueiro.
Inicialmente, Moraes negou o contato e classificou a reportagem como “ilação mentirosa”. Após a divulgação de novos prints, o gabinete do ministro afirmou, em nota, que uma “análise técnica” indicou que ele não seria o destinatário das mensagens.
O STF, porém, não informou quem realizou a perícia nem como o gabinete teve acesso ao material, que está sob sigilo.
As revelações também chegaram à CPI do INSS e aumentaram a tensão entre autoridades e advogados, que pediram investigação sobre os vazamentos. Mendonça autorizou a apuração.
Investigadores afirmam que ainda é cedo para saber se novas mensagens podem trazer mais desgaste ao ministro. Nem mesmo as conversas do dia 17 de novembro — quando Vorcaro teria perguntado horas antes da prisão “Conseguiu bloquear?” — foram totalmente periciadas pela PF.
Com informações de Carla Araújo, UOL