Erika Hilton pede suspensão do Programa do Ratinho após ofensa
O Ministério das Comunicações avalia um pedido da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para que o Programa do Ratinho, do SBT, seja suspenso por 30 dias após declarações transfóbicas feitas pelo apresentador na edição da quarta-feira (11).
No programa, Ratinho questionou a legitimidade da eleição da parlamentar, afirmando que o cargo deveria ser ocupado por uma “mulher de verdade”. “Ela não é mulher, ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra, acho que deveria deixar uma mulher”, disse o apresentador.
Na quinta-feira (12), a parlamentar já havia acionado o Ministério Público Federal para investigar o episódio. Além do inquérito, Erika pediu a abertura de uma ação civil cobrando a indenização de R$ 10 milhões em danos morais coletivos contra a população trans.
Na peça, Erika destaca que a conduta transfóbica de Ratinho supera a esfera da ofensa individualmente e atinge coletivamente mulheres trans e travestir ao questionar sua identidade de gênero e legitimidade enquanto mulher. Na justificativa, a parlamentar argumenta que o discurso, por ter sido veiculado em rede de grande audiência, contribui para discriminar e agravar o cenário de vulnerabilidade social de pessoas trans.
Ela também solicita que o apresentador e a emissora sejam obrigados a veicular uma retratação pública sobre o conteúdo transmitido durante o programa, também em horário nobre e com duração equivalente ao dito por Ratinho.
Na tarde de ontem, o SBT divulgou uma nota sobre o ocorrido, afirmando que a emissora “repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião do SBT e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente”.
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