MST ocupa Governadoria do RN após caminhada pela BR-101; movimento cobra reforma agrária

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou, na manhã desta quarta-feira (23), a sede da Governadoria do Estado, em Natal. A ação aconteceu após uma caminhada iniciada na Avenida Senador Salgado Filho, com deslocamento pelas imediações da BR-101.

A manifestação, considerada de caráter pacífico, reuniu aproximadamente 500 participantes. Durante o trajeto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanhou o grupo, com agentes posicionados ao longo do trecho da rodovia para controlar o tráfego e garantir a segurança de motoristas e manifestantes.

A ocupação da Governadoria ocorre um dia após cerca de 800 integrantes do movimento terem ocupado a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), também na capital potiguar. As ações fazem parte de uma jornada nacional do MST, que reivindica a retomada das políticas públicas de reforma agrária e cobra do governo federal o assentamento das 65 mil famílias acampadas no país.

Imagens: Rayssa Vitorino/98 FM Natal

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Integrantes do MST invadem área do Distrito Irrigado do Baixo-Açu

Um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu uma área que pertence ao projeto do Distrito Irrigado do Baixo-Açu (Diba), na região do Vale do Açu, no último dia 12. As informações são do presidente do Diba, Michel Cosme, que pediu ao Governo do Estado a retirada dos invasores do local. De acordo com ele, o grupo é pequeno – cerca de 22 pessoas – e reivindica a instalação de um programa de assentamento na região. O temor, de acordo com Michel Cosme, é em relação aos prejuízos que podem afetar os produtores do Distrito.

O Diba é uma área de produção por irrigação com 9 mil hectares de terra e estrutura consolidada para 6 mil hectares de perímetro irrigado, pertencente ao Governo do Estado. Segundo Michel Cosme, o grupo invadiu um trecho onde funcionou a parte administrativa da empresa que construiu o projeto. A região fica próxima ao início do canal de irrigação, de onde é distribuída a água utilizada pelo Distrito. O insumo é custeado pelos produtores. “Eles [os invasores] estão se aproveitando dessa água sem nenhuma contrapartida. Além disso, existe o risco de, a qualquer momento, fecharem o canal, o que pode afetar a produção de forma seríssima”, alerta o presidente do Diba.

Segundo o gestor, mais de mil hectares, localizados após o canal, podem sofrer os impactos com o risco de fechamento. “Se isso acontecer, estaremos falando de um prejuízo gigante, de R$ 50 milhões”, calcula Cosme. Ele afirma que as invasões na área são recorrentes e detalha que existe outro grupo instalado às margens da BR-118, em um trecho vizinho ao Diba, o que faz aumentar o receio de novas ocupações nas terras do projeto. Ele conta que são cerca de 80 pessoas em barracos na rodovia federal.

“Esses grupos querem ser assentados na região, então, esta é uma forma de pressionar por isso”, afirma. Preocupada, a administração do Diba comunicou a situação ao Governo do Estado, por meio de ofício enviado à Secretaria de Agricultura (Sape) e à Procuradoria Geral (PGE-RN), duas vezes, nos dias 15 e 25 de janeiro. “Pedimos à PGE e à Sape a retirada dessas pessoas para que elas aguardem o processo de assentamento das terras, mas ainda não tivemos retorno”, afirma Michel Cosme.

Conforme os dois ofícios encaminhados, uma invasão e um acampamento “do agrupamento denominado ‘Sem Terras’ foram registrados no antigo canteiro de obras da 2ª Etapa do distrito”. Na quinta-feira passada (25), um novo ofício destaca que “o referido agrupamento colou obstáculos físicos no acesso ao canteiro, impossibilitando o acesso à gerência do Diba”. Segundo o documento, houve a “implantação de barracos com o desmatamento ilegal em áreas do Distrito”.

O ofício descreve ainda que, “o crescente movimento irregular deste agrupamento tem causado insegurança jurídica e questionamentos por parte dos empreendedores, o que poderá inviabilizar a concretização da consolidação do pleno funcionamento do Distrito de Irrigação”. A reportagem procurou a Sape e a PGE para esclarecimentos. Guilherme Saldanha, titular da Secretaria, disse que as invasões na região ocorrem há pelo menos 10 anos. Para acabar com o problema, afirma, está sendo aberta uma seleção para agricultores familiares da região, os quais, uma vez habilitados, poderão atuar no Diba.

“Isso vai permitir que pequenos produtores da área se habilitem ao processo de seleção para trabalhar no Distrito. O processo deve ocorrer ainda neste primeiro semestre”, informou Saldanha. Sobre a saída dos integrantes da área invadida, segundo o secretário, o Governo do Estado precisa de um posicionamento da Justiça sobre o tema, mas não deu detalhes das tratativas que, de acordo com o gestor, estão a cargo da PGE.


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MST quer mais contato direto com Lula em 2024

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) diz estar insatisfeito com a falta de reuniões presenciais e encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1º ano de sua gestão. A expectativa, segundo o movimento, é que haja maior aproximação entre ambos em 2024.

Apesar de ter se reunido pessoalmente com Lula em 2023, o coordenador do MST, João Paulo Rodrigues, disse ao Poder360 que a constatação é em relação a reuniões mais amplas, que envolvam a coordenação nacional dos movimentos populares.

A expectativa de maior contato, segundo Rodrigues, é compartilhada também por outras organizações, como a Central de Movimentos Populares, o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), entre outros. Ele diz que a “conquista” dos movimentos populares e sua relação com o presidente estão “aquém” do esperado.

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