Brasil tem 72 facções criminosas ligadas ao narcotráfico, diz estudo

Existem 72 diferentes facções criminosas vinculadas ao narcotráfico, de acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Esfera Brasil, divulgado no segundo dia do Fórum Esfera, em Guarujá (SP), neste sábado (8).

A pesquisa ainda afirma que duas dessas facções têm atuação transnacional, com características de holdings do crime.

A estimativa é de que, se toda a cocaína que passa pelo Brasil fosse exportada para a Europa, o faturamento das organizações criminosas seria da ordem de US$ 65,7 bilhões — a nível de comparação esse valor é o equivalente a 4% do PIB brasileiro de 2021.

O estudo completo deve ser lançado pela Esfera em evento na véspera do 12º Fórum Jurídico de Lisboa, que acontece entre os dias 26 e 28 de junho, em Portugal.

Os dados antecipados trazem um mapa com fluxos de entrada e saída do Brasil de ao menos 20 transações ilegais, incluindo tráfico de pessoas, de drogas, de cigarro, ouro, diamante, defensivos agrícolas, armas e madeira.

Esse fluxo demonstra a grande diversidade das atividades econômicas impactadas pelo crime, segundo o estudo.

A pesquisa também mostra que, apesar de o Brasil ter mais de 1.500 diferentes instituições de segurança pública previstas na Constituição, não há coordenação federativa capaz, técnica e juridicamente, de integrar informações e otimizar o combate ao crime organizado.

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Brasil registra média de 494 denúncias de violência contra idosos por dia

Em cinco meses, 74.239 denúncias foram feitas por violência contra idosos no Brasil, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania que consideram o período entre janeiro e maio deste ano. O índice, que representa média de 494 casos por dia, ocupa o segundo lugar no ranking das denúncias, ficando atrás apenas de violência contra crianças e adolescentes. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul lideram a lista.

O levantamento inclui ainda o cenário nacional das denúncias feitas pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, que registrou 275 mil casos entre 1° de janeiro e 3 de junho. As principais violações são relacionadas a integridade da vítima, direitos sociais, liberdade e igualdade.

Das denúncias realizadas nos cinco primeiros meses desse ano, a violência contra idosos representa 23,45% do total. O número aponta um crescimento de 38% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 53.423 queixas foram feitas.

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Crime de Stalking tem se tornado cada vez mais frequente

Caracterizado por um conjunto de comportamentos que visam monitorar, controlar, assediar ou intimidar uma vítima, causando sofrimento emocional e psicológico, o “Stalking” é um crime freqüente, mesmo antes da Lei 14.132/21, que inseriu no Código Penal o artigo 147-A, denominado “crime de perseguição”. As vítimas tem sido, em sua maioria, mulheres. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed/RN), no Rio Grande dio Norte foram registrados 327 casos nos primeiros quatro meses deste ano.

Os stalkers podem agir em diversos ambientes, dentro ou fora do mundo virtual, e contra diversas faixas etárias, inclusive, contra menores de idade. Na última quinta-feira (6), por exemplo, um homem de 39 anos foi preso por perseguir uma adolescente todas as vezes em que ela saía da escola, a acompanhado até sua residência em Touros, cidade da região Leste do RN. A jovem chegou a sofrer com transtornos psicológicos e até relatou aos seus familiares o surgimento de pensamentos suicidas. A vítima teve pedido de medida protetiva foi atendido, mas isso não intimidou o agressor, que continuou perseguindo-a. Com isso, teve a prisão preventiva expedida.

Mesmo antes da lei contra o stalking ser sancionada, denúncias contra a prática criminosa eram feitas. A fisioterapeuta Emilly Rachel diz que sofreu uma perseguição obsessiva por pelo menos três meses em 2020. A primeira abordagem do agressor ocorreu onde no ambiente de trabalho. Ele teria agido com simpatia, mas não demorou a mudar o comportamento. “Eu acabei passando meu número, mas disse que não tinha nenhum interesse em relacionamento. Ele passou a me mandar mensagens frequentemente, além de me ligar”, relata.

Mesmo com as negativas, o stalker continuou a mandar mensagens a qualquer hora do dia, insistindo para engatar um relacionamento. Além disso, Emilly também passou a ser observada por ele ao redor do campus, se posicionando nos lugares por onde ela costumava passar.

Ao avisar à segurança do seu local de trabalho, não foi levada a sério por considerarem a atitude do stalker como inofensiva. As perseguições só pararam quando houve o isolamento social em virtude da pandemia da covid-19.
As mulheres representam 85% das vítimas, segundo a Sesed/RN. Para a psicóloga Carol Dias, isto se decorre de questões como as normas de gênero e machismo, já que o stalker, na maioria das vezes, é alguém que não aceita o fim do relacionamento ou a negativa da vítima. Ele não aceita a perda de poder sobre a mulher. Então ele passa a exercer esse poder de outras formas, como aterrorizar a vítima, além de querer saber onde a vítima está ou com quem está, em uma atitude possessiva e de obsessão”, analisa a psicóloga.

Ela diz que os efeitos psicológicos são diversos, variando entre o medo de sair de casa até ataques de pânico e paranóia, bem como a reclusão de uma vida profissional e social mais ativa. “A vítima não sabe aonde vai estar segura, ou quando estará segura, considerando inclusive o caráter recorrente deste crime. É importante que a vítima procure apoio psicológico e denuncie o crime”, afirmou.

A psicóloga orienta que a internet contribui para o crescimento de casos de stalking, em função do anonimato. “O stalker está oculto do outro lado da tela e, mesmo quando é bloqueado, ele cria um perfil novo e aterroriza a vítima, mandando mensagens, liga e persegue até mesmo amigos e colegas dos seus alvos. Ele conta com essa impunidade da internet”, explica.

Violência doméstica
De acordo com a delegada Victória Lisboa, da Delegacia de Apoio à Mulher (Deam), há uma ligação freqüente entre stalking e violência doméstica. “O stalking é um crime mais amplo e que pode ocorrer fora do âmbito de violência doméstica, o que ultrapassa a atribuição da DEAM”, disse.

O perfil das vítimas é variado e de diferentes classes sociais. Já o modus operandi, por sua vez, segue um padrão, seja pelas redes sociais ou perseguindo nos locais que a vítima costuma freqüentar.

Para inibir as ações de stalker, Lisboa sugere que se tenha uma postura mais discreta com desconhecidos ou pessoas de pouca intimidade. Quem sofre perseguições, deve apontar provas na denúncia. “Caso a pessoa esteja sendo perseguida, entendemos que deve registrar um Boletim de Ocorrência, guardar prints que comprovam a denúncia, ou informar testemunha que confirme a perseguição”, diz a delegada.

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Cerca de 70% dos casos de queimaduras acontecem em ambiente caseiro

Negligência, falta de prevenção e conscientização são fatores que inflamam ainda mais as estatísticas relativas aos acidentes com queimaduras no Brasil. Estima-se que ocorram cerca de um milhão desses incidentes por ano, resultando em uma média de 100 mil atendimentos hospitalares, 17 mil internações, e 2.500 mortes devido as lesões. A maior parte dos acidentes acontecem dentro de casa, fato que torna urgente iniciativas que informem as causas e os procedimentos a serem tomados. Os fogos das festas de junho também acendem o alerta.


O fato de 70% dos casos de queimaduras acontecerem em ambiente caseiro, torna óbvio que os maiores cuidados devam ser direcionados a esse alvo. O cirurgião Marco Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Queimaduras/RN, também coordena o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Walfredo Gurgel, e lida de perto com as consequencias da falta de medidas preventivas em relação às ocorrências de queimaduras.

O cirurgião é um dos integrantes locais da campanha Junho Laranja, que busca combater e prevenir acidentes com queimaduras. A maioria dos casos que dão entrada no CTQ são de queimaduras por líquidos superaquecidos, fogo ou eletricidade. “A atenção dos cuidados deve ser focada dentro de casa, principalmente para crianças e idosos. Devemos sempre isolar a cozinha do resto da casa em relação às crianças, pondo algum tipo de barreira física para elas”, diz.

Saber como agir dentro de casa é essencial para evitar que a situação piore, ressalta o especialista. Se ocorre uma queimadura, o procedimento é basicamente lavar com água, cobrir com um pano limpo e ir ao médico. Marco Almeida ressalta que as crenças antigas sobre cuidados com queimaduras devem ser esquecidas. “Não se deve passar nada. Seja clara de ovo, casca de banana, borra de café, creme dental, nada disso”, diz.

Segundo o cirurgião, substâncias estranhas podem aprofundar a queimadura, dificultar a primeira avaliação por parte do médico, além de causar muita dor na hora da retirada. “Por exemplo, passar uma pasta de dente na queimadura causa muito mais dor ao paciente. Só basta lavar com bastante água corrente para aliviar a dor e tirar algum resíduo que esteja aderido à pele. Envolver o ferimento em um pano limpo e se dirigir o mais rápido possível a uma avaliação médica”, diz.

A depender do grau da queimadura, os primeiros socorros podem ser realizados em qualquer Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima. “E se houver necessidade, o médico vai regular a transferência para o Walfredo Gurgel. Após a queimadura, não se pode esperar dois ou quatro dias, como acontece muito na prática, infelizmente, porque as queimaduras se aprofundam, infectam, e isso piora muito o quadro. Não pode ficar esperando para ver no que vai dar”, avisa.

As queimaduras por eletricidade correspondem a 50% dos casos de morte nesse tipo de acidente. “Temos visto muita criança com queimaduras de terceiro grau com sérias sequelas, principalmente nas mãos. Por isso precisa de tantos cuidados em relação às tomadas, usar protetores e, se não tiver um protetor, colocar um esparadrapo, um móvel na frente, etc. Mas tem que deixar inacessível para os pequenos”, explica.

Os cuidados em relação às queimaduras químicas também passam por cuidados básicos. Para a crianças, o procedimento é manter produtos como soda cáustica e desinfetantes em prateleiras altas, e também barrar o livre acesso delas a fósforos e isqueiros. Marco Almeida destaca como uma grande vitória preventiva a proibição da venda de álcool líquido 70% nos supermercados e farmácias desde 30 de abril de 2024.

“Foi uma medida muito importante. Quando esse tipo de álcool foi liberado durante a pandemia da covid-19, o número de queimaduras dispararam e também a mortalidade por acidentes com álcool”, diz. Os acidentes aumentam muito quando se passa a cozinhar com líquidos inflamáveis. “Infelizmente, quando o preço do gás de cozinha sobe, muita gente passa a cozinhar com álcool, inclusive o combustível, que é uma coisa proibida”, lamenta.

As festas juninas, com suas fogueiras e bombinhas, inspiram atenção extra. O tenente Christiano Couceiro, chefe do Centro de Treinamento do Corpo de Bombeiros, aconselha que as fogueiras devem ser pequenas e acesas longe de matas, depósitos de papel ou produtos inflamáveis; observar o manuseio dos fogos, jamais apontar para alguém, por mais inofensivo que pareça; e na hora de comprar, ser cuidadoso com a procedência do material.

Cicatrizes
Há quatro anos Kaline Araújo lida com as marcas de um acidente inflamável. Era 2020, domingo dos pais, quando ela recebeu as chamas de um fogareiro (rechaud) mal manipulado por outra pessoa. “Assim que tirei minha filha do caminho, recebi todo o fogo. Ainda tive a iniciativa de ir ao banheiro, molhar o corpo e ir dirigindo eu mesma até o Walfredo”, conta. Ela teve 56% do corpo queimado com lesões de 3º grau.

A recuperação é dolorosa, lenta, e cara. Do acidente até hoje, Kaline já fez 50 cirurgias – e segue fazendo. Entre os cuidados cotidianos, estão o uso de protetor solar constante (até dentro de casa), roupas segunda pele, maquiagens específicas, sombrinha na rua, e uma dieta rica em proteínas, mas repleta de restrições. “É difícil retornar à vida normal. Tive uma depressão grande no começo, pois isso abala muito o psicológico e a autoestima”, conta ela, que já foi modelo, e trabalhou como recepcionista de clínica. Atualmente, está afastada do trabalho.



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