PIB: Brasil deixa grupo das 10 maiores economias do mundo em 2025; veja ranking

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025. No quarto trimestre, a alta foi de 0,1% sobre o trimestre anterior — o 39º melhor desempenho entre 50 países, segundo a Austin Rating.

Com isso, o Brasil encerrou 2025 como a 11ª maior economia do mundo, deixando o grupo das dez maiores. De acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional, o país deve manter essa posição em 2026. A Austin estima o PIB brasileiro em US$ 2,268 trilhões no ano passado.

Segundo a consultoria, a queda no ranking se explica principalmente pela valorização média da moeda russa em 2025, que impulsionou a Rússia. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 1,7%, com menor peso do agro e recuperação de indústria e serviços.

Ranking do PIB mundial em 2025 (em dólares)

  1. Estados Unidos – 26,1% do PIB mundial

  2. China – 16,6%

  3. Alemanha – 4,3%

  4. Japão – 3,6%

  5. Índia – 3,5%

  6. Reino Unido – 3,4%

  7. França – 2,9%

  8. Itália – 2,2%

  9. Rússia – 2,2%

  10. Canadá – 1,9% (2.278 bilhões de dólares)

  11. Brasil – 1,9% (2.268 bilhões de dólares)

No quarto trimestre, o Brasil superou economias como Canadá (-0,2%), Coreia do Sul (-0,3%), Noruega (-0,3%) e Irlanda (-0,6%), mas cresceu menos que Estados Unidos (1,4%), China (1,2%), Arábia Saudita (1,1%) e México (0,9%).

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Natal concentra quase 4 em cada 10 vagas de emprego do RN

Natal terminou 2025 como a cidade que mais gerou empregos no Rio Grande do Norte. Dados do Caged mostram que a capital respondeu por 38% de todas as vagas com carteira assinada abertas no estado ao longo do ano, com saldo positivo de quase 6 mil novos postos de trabalho.

O número coloca Natal na liderança do mercado formal potiguar e mostra que a maior parte das oportunidades ficou concentrada na capital. Em 2024, esse percentual era de 29%, o que indica um crescimento significativo da participação de Natal na geração de empregos do RN.

A maior parte das vagas surgiu nos setores de comércio, serviços e construção civil, áreas que costumam empregar diretamente a população e movimentar a economia local. Ao longo do ano, a cidade acumulou meses consecutivos de saldo positivo, principalmente a partir do segundo semestre.

Especialistas apontam que o resultado reflete a combinação entre retomada de atividades econômicas, aumento da circulação de dinheiro e expansão de serviços na capital. Ainda assim, o desafio segue sendo ampliar essas vagas e garantir que o crescimento chegue também aos bairros mais afastados e a quem mais precisa de trabalho.

Os dados reforçam o peso de Natal na economia do estado e mostram que o desempenho da capital influencia diretamente os números do emprego no Rio Grande do Norte como um todo.

96FM

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Preço dos ovos diminui em janeiro para o menor nível em seis anos

O ovo, uma das proteínas mais consumidas pelos brasileiros, teve redução de preço em todo o país no mês de janeiro, alcançando o menor nível dos últimos seis anos, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As médias mensais apresentaram uma queda de até 17% em relação a dezembro de 2025. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, o recuo é ainda mais expressivo, chegando a 27%. Os índices consideram as informação compiladas até a última quarta-feira (28), com os valores reais, corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de dezembro de 2025.

Consumidores da capital potiguar ouvidos pela reportagem afirmaram ter percebido a redução. A diarista Vanderleia Nascimento contou que, com preços melhores, dá para consumir mais. “Lá em casa eu e meu filho consumimos bastante ovo, então, é ótimo que os preços estão melhores”, disse.

A empregada doméstica Vanusa Ferreira foi ao supermercado nesta segunda-feira (2) fazer as compras para a casa onde trabalha, mas revelou que na semana passada aproveitou os preços em conta para levar o produto para as refeições caseiras e também para as vendas do marido, que é comerciante. “Levei três bandejas para mim e 15 para o comércio do meu esposo. Está bem barato mesmo e isso é muito bom, inclusive para quem revende, como é o caso do meu marido”, falou Vanusa.

Tribuna do Norte

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Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro foi três vezes ao Planalto, fora da agenda


O empresário mineiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, esteve pelo menos três vezes no Palácio do Planalto durante os anos de 2023 e 2024, no governo Lula (PT). As reuniões, no entanto, não aparecem nas agendas oficiais de nenhuma das autoridades que trabalham no local.

O pai dele, Henrique Moura Vorcaro, também tem uma entrada no Planalto registrada, no dia 6 de novembro de 2024. Assim como no caso do filho, ele não aparece em nenhuma reunião registrada nas agendas oficiais.

As entradas de Daniel e de Henrique Vorcaro no Palácio do Planalto ficaram registradas na portaria do prédio. Os registros foram fornecidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

O Palácio do Planalto é o local de trabalho do presidente da República e de alguns ministros, como o ministro-chefe da Casa Civil. Segundo os registros da portaria, Daniel Vorcaro esteve no local nos dias 4 de dezembro de 2023, 1º de março de 2024 e 3 de abril de 2024.

As informações sobre as idas de Daniel Vorcaro ao Planalto foram reveladas pela repórter Mariana Haubert, do jornal digital Poder360. O Metrópoles obteve a mesma planilha por meio do sistema de busca de pedidos e respostas da Lei de Acesso à Informação e confirmou as datas de acesso dos Vorcaros ao Planalto.

Como mostrou a coluna Andreza Matais, o presidente Lula recebeu Daniel Vorcaro para uma reunião no Palácio do Planalto em dezembro de 2024. Este encontro também não foi registrado na agenda oficial. A reunião ocorreu no gabinete de Lula e durou cerca de uma hora e meia.

Coluna da Andreza Matais – Metrópoles

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Corridas por aplicativo sobem mais de 56% e pesam no bolso do natalense

As corridas por aplicativo ficaram significativamente mais caras no Brasil. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço do transporte por aplicativo subiu, em média, 56,08% em 2025, a maior variação anual já registrada para o serviço. O aumento superou a inflação geral do país, que fechou o ano em 4,26%, e passou a ter um peso de forma mais evidente no orçamento de quem depende desse tipo de deslocamento no dia a dia, especialmente em capitais e cidades com forte demanda. Em Natal, a percepção dos usuários sobre o serviço estar mais caro também acompanha os dados do levantamento.

Para o economista Helder Cavalcanti, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), o avanço expressivo tem relação direta com mudanças recentes na forma de cálculo e no próprio modelo de negócios das plataformas. “A tarifa dinâmica, que ajusta preços em tempo real com base na demanda, passou a ser considerada no cálculo do IPCA, aumentando a volatilidade dos preços. Ou seja, a lei da oferta e da procura passa a determinar os valores”, afirma. Segundo ele, a combinação entre maior procura em horários específicos e oferta limitada de motoristas acaba elevando as tarifas em momentos críticos.

Além da metodologia, Helder Cavalcanti aponta o peso do aumento dos custos enfrentados pelos motoristas. “Os custos com combustível, manutenção e seguros pressionam as plataformas a repassar esses valores aos usuários”, explica. O economista avalia ainda que, após anos de subsídios para ganhar mercado, as empresas passaram a buscar sustentabilidade financeira. “Agora, as plataformas ajustam preços para garantir rentabilidade, inclusive se prevalecendo da maior procura em determinados horários”, completa.

Na prática, os motoristas afirmam que o aumento percebido pelos passageiros não se reflete em melhora proporcional nos ganhos. A motorista Regina Linhares, 40, que atua exclusivamente pela Uber, relata que não houve repasse direto. “Nada foi repassado no aplicativo da Uber”, diz. Segundo ela, os custos aumentaram, especialmente com combustível. “Eu rodo com etanol. A gasolina e o etanol aumentaram, então teve aumento de custo”, afirma. Para compensar, o esforço precisa ser maior. “É horrível, porque a gente tem que fazer todo um recálculo e trabalhar um pouquinho mais para poder ter lucro”, resume.

Tribuna do Norte 

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Governo do RN “desconta errado” IR de aposentados

Servidores aposentados do Rio Grande do Norte tiveram desconto maior de Imposto de Renda no 13º salário. O governo garante que não houve cobrança duplicada, mas reconhece ajustes técnicos que elevaram temporariamente o valor retido.

Segundo a Secretaria de Estado da Administração (SEAD), a falha foi limitada e rapidamente detectada. A pasta afirmou que a diferença será devolvida automaticamente nas próximas folhas, sem necessidade de pedido dos servidores. E que os servidores ativos não foram afetados.

O episódio, no entanto, já gerou reclamações entre servidores de Natal e no interior do estado, reforçando a atenção que erros na folha provocam entre quem depende de cada centavo.

NOTA DA SEAD

Em relação aos questionamentos sobre possíveis descontos em dobro de Imposto de Renda no pagamento do 13º salário dos servidores estaduais, o Governo do Rio Grande do Norte esclarece que não houve cobrança duplicada de IR. O que ocorreu foi a identificação de casos pontuais de desconto maior, restritos exclusivamente a servidores aposentados, em função de ajustes técnicos no processamento da folha.

A situação foi prontamente detectada pela equipe responsável e a diferença será integralmente devolvida nas próximas folhas de pagamento, de forma automática, sem necessidade de qualquer solicitação por parte dos servidores. É importante destacar que não há qualquer inconsistência nos pagamentos dos servidores ativos, cuja folha foi processada normalmente.

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Etanol dispara no RN e estado lidera aumento de preços no Brasil, aponta ANP

O Rio Grande do Norte registrou a maior alta percentual do país no preço médio do etanol hidratado, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em apenas uma semana, o valor médio do litro saltou 11,76%, passando de R$ 4,59 para R$ 5,13, enquanto a média nacional teve aumento bem mais modesto, de 0,89%. No período, 20 estados apresentaram alta, cinco tiveram queda e apenas o Amazonas manteve estabilidade.

De acordo com o presidente do Sindipostos-RN, Maxwell Flor, o principal fator para o aumento é a proximidade do fim da safra da cana-de-açúcar no Nordeste. Com estoques mais baixos e produção concentrada em poucas usinas, o estado perde capacidade de abastecimento próprio e precisa buscar combustível fora, o que pressiona os preços. Segundo ele, esse movimento é cíclico e deve se manter durante o período de entressafra.

Nos postos, o impacto já pesa no bolso dos motoristas. Em Natal, o litro do etanol já ultrapassa os R$ 5,00, chegando a R$ 5,59 em alguns estabelecimentos. Motoristas de aplicativo relatam surpresa com a alta antecipada e reclamam da perda de competitividade do combustível. Além disso, o encarecimento do etanol também começa a influenciar o preço da gasolina, já que 30% da sua composição leva etanol anidro.

O reflexo é direto nas bombas: o RN também liderou o aumento da gasolina comum, que subiu 7,81% em duas semanas, chegando a R$ 6,35 por litro. Para o setor, enquanto a produção seguir limitada e os estoques reduzidos, a tendência é de preços elevados nos próximos meses, ampliando ainda mais a pressão sobre consumidores e trabalhadores que dependem do transporte diariamente.

Com informações da Tribuna do Norte

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Extremoz prepara implantação de centro industrial para geração de emprego e renda


A prefeita de Extremoz, Jussara Sales, se reuniu na manhã desta terça-feira (16) na comunidade de Pitangui, com representantes do Grupo Bom Todo, da Paraíba, para tratar da possível implantação de um centro industrial no município. A proposta tem como foco o fortalecimento da economia local e a ampliação da oferta de emprego e renda.

A reunião contou com a participação de secretários municipais, entre eles o secretário de Juventude, Esporte e Lazer, Pablo Sales, além de empresários e representantes do setor produtivo. O empresário extremozense Paulo de Paula destacou a importância da articulação entre o poder público e a iniciativa privada para o desenvolvimento econômico da cidade.

Durante o encontro, foram discutidos aspectos técnicos e logísticos relacionados à possível instalação do empreendimento, além do potencial de Extremoz em infraestrutura, localização estratégica e disponibilidade de mão de obra.

O Grupo Bom Todo, por meio da Guaraves, atua desde 1978 e emprega cerca de 2 mil colaboradores, com operações nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí e Sergipe. A empresa é considerada uma das maiores do setor avícola do Nordeste.

A prefeita Jussara Sales afirmou que a gestão municipal trabalha para criar um ambiente favorável à atração de investimentos. Segundo ela, a prioridade é promover desenvolvimento econômico aliado à geração de oportunidades para a população.

A Prefeitura de Extremoz informou que seguirá dialogando com o setor empresarial visando estimular novos investimentos e fortalecer a economia do município.



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Feriadão bomba hotéis do RN: ocupação pode bater 95% em Natal

O setor hoteleiro do RN vai ferver neste feriado prolongado. A ABIH-RN, que representa os hotéis e pousadas do estado, projeta taxa de ocupação entre 85% e 90% durante os dias 20 e 21 de novembro. Em Natal, a expectativa dispara para 95% por causa do feriado municipal.

A pesquisa da associação mostra que os turistas não estão perdendo tempo: hotéis e pousadas já se preparam para receber uma multidão, aproveitando a chance de faturar alto em datas estratégicas. A alta procura indica que o turismo potiguar segue firme, mesmo com a crise econômica que pressiona o país.

Para quem não conhece, a ABIH-RN é a principal voz do setor no estado. A entidade sem fins lucrativos atua defendendo hotéis e meios de hospedagem, promovendo o turismo e capacitando profissionais da área. Ou seja: eles sabem bem o que significa encher quartos e encher o caixa.

Se você ainda não reservou, corra. A chance de conseguir vaga está cada vez menor, e a cidade promete estar lotada com turistas aproveitando o feriadão. Natal, Mossoró e outras cidades do RN devem sentir o impacto direto no comércio e na rede hoteleira.

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Química, simpatia e só: Brasil segue sob tarifas de 50% impostas por Trump

Após mais de um mês do encontro em que rolou uma “química” entre o presidente Lula e o republicano Donald Trump, as negociações sobre o tarifaço de 50% vigente sobre exportações brasileiras desde agosto não apresentaram nenhum avanço concreto. Entre afagos e gentilezas, as conversas entre os diferentes níveis dos dois governos têm patinado e colecionado anúncios de novas tratativas, ainda sem data para acontecer.

O enredo do “namoro” começa a ficar arrastado. Ao “esbarrão” de 39 segundos entre os líderes no intervalo dos discursos na Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, seguiu-se uma conversa por teleconferência e a expectativa, verbalizada por Lula, de que o “problema com os Estados Unidos” seria resolvido.

O otimismo prevaleceu com o encontro presencial entre os presidentes em meio à cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) na Malásia, em outubro, celebrado como uma vitória da estratégia de não ceder às pressões políticas americanas e de reafirmar a soberania brasileira. “Estou convencido de que em poucos dias teremos uma solução”, reafirmou Lula na ocasião.

Na sequência, as delegações do Brasil e dos Estados Unidos reuniram-se em Kuala Lumpur para dar início à fase técnica das negociações. O secretário de Estado Marco Rubio — considerado uma pedra no caminho das negociações por questões ideológicas — havia acompanhado os presidentes no encontro e era esperado na reunião, mas não compareceu, sem explicação oficial.

Do lado brasileiro, participaram o chanceler Mauro Vieira e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa; do lado americano, estiveram presentes o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer.

Vieira reiterou o pedido brasileiro de retirada temporária das tarifas de 40%, com a manutenção apenas das tarifas recíprocas, de 10%. A expectativa era por um anúncio da suspensão para todos os produtos ou mesmo para setores específicos, em especial sobre a carne e o café, que vêm pressionando os preços no mercado americano e incomodando os importadores.

Nada, no entanto, ficou decidido. Os negociadores concordaram apenas em abrir um calendário de reuniões e no compromisso de “construir um acordo”. Uma nova reunião entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em Washington com seus homólogos americanos estava prevista para esta semana, mas foi adiada sem nova data.

Na última quinta-feira, Greer disse que o governo dos EUA está “analisando o formato” do possível acordo comercial com o Brasil, mas esse processo poderia demorar “algumas semanas ou meses”. Ainda segundo ele, os EUA querem “ter certeza de que os brasileiros estejam prontos para colaborar”.

Só "química" não garante negociação para redução de tarifas

Enquanto a diplomacia aguarda sinais de Washington, o setor produtivo reage com cautela. Na prática, a avaliação é que, apesar de bem-vinda, a suposta “química” entre os dois presidentes é insuficiente para garantir uma boa negociação.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, representante de diversos setores junto às contrapartes americanas, resume a percepção do momento: “Primeiro, tem que baixar as expectativas, porque não está nada garantido”, diz. “Nem mesmo [as isenções] pra café e carne. A negociação [entre Trump e Lula sobre temas estratégicos] também vai bem longe. Então, eu não esperaria nenhuma resolução de curto prazo.”

“Acho que essa química é uma coincidência”, diz Jackson Campos, especialista em comércio exterior. “Eles se encontraram e o Trump decidiu negociar porque o lobby das empresas brasileiras nos Estados Unidos está chegando ao governo americano. Trump negociaria de qualquer forma, já que está ouvindo do empresariado que as tarifas estão pesando.”

Para José Velloso, presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a questão não se resume à “química” ou a vontade de fazer o acordo. “O problema é que, dentro das prioridades dos EUA, ainda não chegou à vez do Brasil.” “Não somos a prioridade para os Estados Unidos.” A atual agenda da Casa Branca, lembra, está voltada principalmente à redefinição das relações com a China e às disputas tecnológicas com a União Europeia e o Sudeste Asiático.

Big Techs, terras raras e etanol na mesa para negociação das tarifas

Outro entrave apontado pelos empresários é a falta de clareza sobre a possibilidade de atender ao pleito americano: “Não sabemos o que os Estados Unidos vão realmente colocar na mesa para que o Brasil possa reagir”, diz a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Maria Teresa Bustamante, que também não acredita em novidades sobre o tema este ano.

Entre os interesses americanos já conhecidos estão as garantias de segurança para big techs, em meio a tensões sobre as propostas brasileiras de regulação mais rígida dessas empresas — medidas que o governo Trump interpreta como ataques à liberdade corporativa e até como uma forma de “roubo” de recursos das companhias americanas.

Os EUA também buscam acesso a minerais raros e ao mercado brasileiro de etanol. Do lado brasileiro, o governo já acenou com a possibilidade de reduzir as tarifas sobre o etanol americano, cuja alíquota atual é de 18%. É uma concessão significativa, já que enfrenta forte resistência política e lobby de produtores nacionais.

“Pragmaticamente, faz sentido o que está sendo negociado”, avalia Vito Villar, coordenador de Comércio Internacional da BMJ Consultores. “Mas não é possível, nesse momento, encontrar uma temporalidade. Pode levar semanas ou meses. É importante destacar que nenhum país conseguiu de fato um bom acordo. Isso leva a crer que o Brasil, que entrou na rota de crítica direta de Trump por meses, também tenha dificuldade em alcançá-lo.”

"Trump tem as cartas"

O apetite dos EUA dependerá, em grande medida, do cenário político interno. No momento, Trump enfrenta pressões com o risco de shutdown (paralisação da máquina administrativa) do governo e queda de popularidade. Villar considera difícil que o objetivo brasileiro — a redução total das tarifas aplicadas — seja alcançado.

“Embora essa hipótese não esteja fora da mesa de negociação, o mais provável é um meio-termo, com possíveis novos produtos incluídos nas listas de exceção em troca de concessões brasileiras”, diz.

Arno Gleiser, presidente da Câmara de Integração e Comércio Brasil–Estados Unidos (Cisbra), acredita num acordo parcial mais rápido e outro no longo prazo. “Foi assim com a China: eles fizeram um waiver de um ano”, diz.

No último dia 30, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, chegaram a um acordo durante a cúpula da Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), na Coreia do Sul, após semanas de tensão e ameaças de novas tarifas. O tratado estabelece uma trégua de um ano na disputa comercial entre os dois países: os Estados Unidos reduzirão tarifas sobre produtos chineses, enquanto a China se comprometeu a ampliar a compra de soja americana e ambos concordaram em aliviar controles de exportação.

Velloso ainda é o mais otimista. Acha que o desfecho pode variar entre “a retirada total dos 40%, a redução para 10% ou a adoção de uma tarifa parecida com a da Europa, de 15%, além de um possível aumento nas exceções”, afirma, confiante de que “alguma coisa deve acontecer nos próximos 90 dias”.

Até lá, Trump vai continuar avaliando o desgaste interno para decidir. Segundo um líder empresarial que não quis ser identificado, como um "bom negociador", Trump vai continuar “cozinhando” o Brasil sobre um acordo comercial enquanto interessar. Embora relevante como fornecedor de commodities, o país é peça secundária no tabuleiro. Além disso, analistas avaliam que Trump já alcançou uma parte do que desejava do Brasil, para sinalizar à China que tem alternativas na América do Sul.

O mesmo empresário afirma que é impossível saber exatamente o que vai sair das negociações — e nem quando. “O ‘timing’ vai ser dado por Trump, é ele quem tem as cartas”, diz. “Mas, independentemente do que vier, não será fruto da ‘química’ entre Lula e Trump, mas do esforço do empresariado brasileiro, que tem atuado fortemente junto às contrapartes americanas. “São os empresários dos Estados Unidos que têm pressionado a Casa Branca para a revisão das tarifas.”

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