Câncer no pâncreas: entenda uma das doenças mais agressivas que existem

Com altíssima letalidade, o câncer do pâncreas tem acometido cada vez mais pessoas e pessoas mais jovens, inclusive, a literatura médica indica que até 2030 será a segunda causa de morte por câncer no mundo. Enquanto outros tumores têm mais avanços em tratamentos, o de pâncreas está um pouco aquém, mas há avanços também

O pâncreas fica atrás do estômago, entre o baço e o duodeno, na região do abdômen, sendo responsável pela produção de enzimas que ajudam na digestão dos alimentos e de insulina, regulando os níveis de açúcar no sangue. O câncer de pâncreas é um tipo de tumor maligno que normalmente não leva ao aparecimento de sinais e sintomas nos estágios iniciais. Apresenta alta taxa de mortalidade em razão do diagnóstico tardio.

O médico gastroenterologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), Fernando Lisboa Junior, explica que a agressividade dessa patologia deve-se ao seu comportamento biológico e ao diagnóstico tardio. “Para se ter uma ideia, cerca de 50% dos tumores já têm metástases no momento do diagnóstico. Ainda não existem protocolos de detecção precoce do câncer de pâncreas”, ressalta.

Ele explica que fatores genéticos e fatores relacionados a hábitos de vida influenciam no surgimento da doença. “E dentre os fatores relacionados a hábitos de vida, o mais importante é o tabaco. Também estão relacionados o excesso de consumo de álcool, obesidade, sedentarismo, dieta rica em gorduras e alimentos processados”, aponta o médico.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pâncreas ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes. É responsável por cerca de 1% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 5% do total de mortes causadas pela doença, cujo risco aumenta com o avanço da idade e era raro antes dos 30 anos, tornando-se mais comum a partir dos 60.

Contudo, o Fernando Lisboa conta que nos últimos anos, tem sido mais detectado em jovens. “Devido aos fatores de risco relacionados ao estilo de vida e que são cada vez mais comuns entre os jovens. Além disso, os exames de imagem melhoraram e tem sido realizados com mais frequência, consequentemente, fazem-semais diagnósticos. A incidência entre homens e mulheres é praticamente igual”, explica.

Os sinais de alerta se dão através dos sintomas mais comuns como dor no andar superior do abdome, falta de apetite, perda de peso, fadiga, icterícia (amarelo na pele e nos olhos) e colúria (urina escura, cor de “coca-cola”). “Infelizmente, na maior parte das vezes, aparecem numa fase avançada da doença. Uma forma de prevenir é minimizar ou eliminar os fatores de risco, como o consumo excessivo de álcool, alimentos processados, evitar a obesidade e o fumo, ter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas”, sugere o gastroenterologista.

Ele explica ainda que existem alguns tipos de cistos no pâncreas que podem sofrer transformação maligna. Os mais freqüentes são os IPMNs. “Quando desenvolvem determinadas características, esses cistos devem ser operados para serem retirados, evitando assim que o paciente tenha câncer no futuro”, diz ele. “Também pode se recomendar o aconselhamento genético para pessoas que tiveram parentes de primeiro grau com câncer de pâncreas”, conclui o médico.

A Pancreatectomia, que é a retirada de parte do pâncreas, é a única forma de tratamento que tem potencial de cura, mas apenas 15 a 20% dos pacientes com esse tipo de câncer são candidatos à cirurgia, no momento do diagnóstico. Nos outros 80%, a doença já se apresenta em estágio avançado, o que impossibilita a retirada cirúrgica da lesão. A quimioterapia também faz parte da terapêutica e pode ser feita antes e após a cirurgia.

“A chance de cura depende do estágio em que o paciente é diagnosticado e operado. Quanto mais precoce for a doença no momento da cirurgia maior chance de cura o paciente vai ter. Portanto, é importante que o diagnóstico seja precoce e que o paciente seja encaminhado rapidamente para o tratamento adequado”, acrescenta o gastroenterologista Fernando Lisboa Junior.

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RN tem o segundo menor número de mamógrafos no SUS do Nordeste


Um levantamento do Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), ligado à Confederação Nacional de Municípios (CNM), aponta que apenas 23% das cidades brasileiras possuem mamógrafos, equipamento fundamental para a detecção precoce do câncer de mama.

Em todo o País, segundo o MMM, existem 6.420 equipamentos, sendo 3.197 em uso no Sistema Único de Saúde (SUS). No Rio Grande do Norte, são 47 mamógrafos destinados ao SUS, número suficiente para garantir acesso às mulheres em faixa etária para a realização de mamografia. Conforme divulgado pela CNM, o RN possui o segundo menor número de mamógrafos do Nordeste, e está em situação melhor apenas do que Sergipe, que conta com 36 equipamentos.

Além disso, o problema, de acordo com Idaísa Cavalcanti, fundadora do Grupo Reviver, é que a maior parte destes equipamentos está quebrada. A Tribuna do Norte pediu esclarecimentos à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), a fim de obter informações de quantos mamógrafos estão em funcionamento, mas não obteve retorno da pasta. A CNM também não detalhou sobre a situação. “A única informação que conseguimos passar é a quantidade de mamógrafos no SUS por unidade federativa”,

disse a Confederação.

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Walfredo Gurgel registra 50 pacientes nos corredores


O maior hospital público do Rio Grande do Norte, o Monsenhor Walfredo Gurgel, vem enfrentando nova crise de superlotação e equipamentos quebrados nos últimos dias. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde-RN), pelo menos cinquenta pessoas estavam aguardando procedimentos nos corredores, ao passo que um tomógrafo está quebrado e pelo menos três salas de cirurgia fechadas para abrigar pacientes. A situação alarmante no hospital afeta tanto os pacientes quanto as equipes de profissionais de saúde, diante de um aumento de demanda e falta de estruturação para esse quantitativo.

Segundo Rosália Fernandes, coordenadora do Sindsaúde-RN, a situação do Walfredo Gurgel se dá por uma série de fatores, entre eles o aumento no número de acidentes de trânsito registrados no Estado e a falta de estrutura em hospitais do interior do RN. “A superlotação no Walfredo, uma grande parte dela é oriunda do interior. Prefeituras e municípios mandam tudo para o Walfredo Gurgel. Se quebra qualquer coisa encaminha para o hospital. Inclusive, em Natal, o Hospital Municipal não faz nenhum procedimento de ortopedia” pontua.

Nesta terça-feira (29), profissionais terceirizados da higienização do Walfredo Gurgel paralisaram as atividades cobrando pagamentos de salários atrasados. A TN também apurou que a coleta de lixo também tinha sido suspensa por falta de pagamentos. A Secretaria de Estado da Saúde Pública não respondeu os questionamentos da reportagem. Na semana passada, uma greve foi realizada por maqueiros e profissionais da nutrição que estavam com salários atrasados.

Outro problema destacado foi a quebra dos dois tomógrafos do hospital desde o dia 23 de outubro, o que compromete o atendimento de pacientes em estado grave, como os que necessitam de exames urgentes e que ainda não foram consertados pelo Governo do Rio Grande do Norte. Um dos tomógrafos foi consertado nesta terça-feira (29). “Sem os tomógrafos funcionando, estamos tendo que encaminhar esses pacientes para outros hospitais, como o Deoclécio Marques, em Parnamirim. Isso representa um risco à vida deles, pois a demora e o deslocamento afetam as chances de recuperação em casos críticos”, comenta Rosália.

Outro fator que reduz o quantitativo de leitos do Walfredo Gurgel é que o segundo andar está passando por reformas. O espaço abarca 52 leitos. De acordo com entrevista de Geraldo Neto, diretor da unidade, em 26 de agosto à TRIBUNA DO NORTE, a reforma deverá ser finalizada até o fim do mês de novembro. Para Rosália Fernandes, coordenadora do SindSaúde, essa situação vem agravando ainda mais a carência do espaço para internações.

“Esta reforma já está próxima de terminar, segundo o diretor do hospital, mas, ao final, deve começar uma nova intervenção no terceiro andar, que é menor e resultará em uma redução de leitos. Isso faz com que a superlotação se torne ainda mais intensa”, explica.

Além dos problemas estruturais e da falta de equipamentos, o volume de pacientes sobrecarrega os profissionais de saúde, que lidam com condições de trabalho fora do ideal, segundo Rosália. “O técnico de enfermagem precisa dar conta de um número de pacientes muito acima do recomendado, o que compromete o atendimento e coloca em risco a segurança tanto dos pacientes quanto dos próprios trabalhadores”, alerta. A coordenadora também cita a chegada constante de ambulâncias vindas do interior do estado, cujos hospitais locais não conseguem atender a demanda, gerando a transferência para o Walfredo Gurgel.

Com essa situação, o SindSaúde-RN reivindica a reestruturação da rede de saúde estadual, com investimentos não apenas no Walfredo Gurgel, mas também em hospitais regionais e municipais, de modo a distribuir melhor a demanda. “O Governo do Estado precisa oferecer alternativas para esses pacientes e não sobrecarregar o Walfredo Gurgel. Hoje, muitos municípios não realizam procedimentos simples, como redução de fraturas, e isso precisa mudar”, defende Rosália.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com a Secretaria do Estado da Saúde Pública (Sesap) para buscar respostas de quais são as iniciativas para a resolução desses problemas, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. A reportagem também esteve no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel durante a manhã e tarde desta terça-feira (29), mas não foi atendida pela direção da unidade por estar em reunião.

Em setembro deste ano, foi firmado contrato no valor de R$ 184,57 milhões para construção do novo Hospital Metropolitano do Rio Grande do Norte, com 350 leitos, por representantes do Estado, do Ministério da Saúde e da Caixa Econômica Federal. Com a assinatura, o Governo recuou da ideia de retirar um andar da futura estrutura e reduzir 93 leitos, mantendo assim a proposta inicial.

O cronograma do governo estadual prevê o lançamento da licitação até o final de 2024, após análise da Caixa, e conclusão das obras até 2026. Os recursos são oriundos do governo federal e Caixa Econômica, sem previsão de contrapartida do Estado.

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Casos de AVC aumentaram cerca de 15% em pessoas jovens; veja riscos

Um estudo publicado neste mês na revista científica The Lancet Neurology mostrou que os casos de acidente vascular cerebral (AVC) cresceram 14,8% em pessoas com menos de 70 anos no mundo. No Brasil, cerca de 18% da incidência afeta a faixa etária de 18 a 45 anos, de acordo com dados da Rede Brasil AVC.

Para alertar sobre os riscos e prevenção do AVC, é reconhecido nesta terça-feira (29) o Dia Mundial do AVC. A condição decorre da alteração do fluxo de sangue ao cérebro, causando a morte de células nervosas na região atingida. Entre as causas para o acidente vascular estão a obstrução dos vasos sanguíneos (AVC isquêmico) ou a ruptura do vaso (AVC hemorrágico).

Globalmente, o número de casos de AVC aumentou 70% entre 1990 e 2021, segundo a pesquisa, com um aumento de 44% nas mortes por AVC e 32% no agravamento de condições relacionadas à doença. No total, foram 11,9 milhões de novos casos no mundo. No Brasil, cerca de 39.345 brasileiros perderam a vida devido ao AVC entre janeiro e agosto de 2024, uma média de seis óbitos por hora, de acordo com o Portal de Transparência do Registro Civil (ARPEN Brasil).

De acordo com Angelica Dal Pizzol, membro da Rede Brasil AVC e médica neurologista, estudos recentes já têm mostrado que o número de casos de AVC em pacientes jovens tem aumentado.

“Esse crescimento é atribuído a diversos fatores, incluindo o sedentarismo e hábitos de vida pouco saudáveis, como uma alimentação inadequada, que podem levar à obesidade, diabetes e hipertensão, mesmo entre pessoas mais jovens. Além disso, mudanças climáticas, altas temperaturas e a poluição ambiental também são fatores que contribuem para o aumento nos casos de AVC”, afirmou.

Fatores genéticos e hereditários podem aumentar o risco de AVC em pessoas jovens, incluindo doenças genéticas e hematológicas. “Jovens com esses fatores de risco precisam de um acompanhamento mais atento, além de um cuidado redobrado com outros fatores de risco. Manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente são essenciais para evitar a acumulação de riscos que possam elevar as chances de um AVC”, orienta a neurologista.

Principais sinais de acidente vascular cerebral

A dificuldade de movimentação e de fala são alguns dos sintomas comuns dos AVCs isquêmicos e hemorrágicos. De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sinais de acidente vascular cerebral incluem:

  • Dor de cabeça intensa e de início súbito;
  • Fraqueza ou dormência na face;
  • Paralisia (dificuldade ou incapacidade de se movimentar);
  • Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar;
  • Perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.

Também podem ocorrer sintomas como tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação, além de alterações na memória, dificuldade para planejar atividades diárias, náuseas, vômitos, confusão mental e perda de consciência.

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Governo federal confirma desabastecimento de vacinas da covid

O Ministério da Saúde confirmou nesta 4ª feira (23.out.2024) que houve no Brasil desabastecimento de vacinas da covid de 16 a 22 de outubro.

Segundo o órgão, a situação foi “momentânea” e não significou um desabastecimento generalizado do insumo. Cerca de 1,2 milhão de doses começaram a ser distribuídas. Leia mais abaixo a íntegra da nota.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também informou ter começado a comprar 69 milhões de doses da vacina contra a doença. A quantidade deve suprir a demanda dos próximos anos, segundo o órgão.

Procurado pelo Poder360, o Ministério da Saúde não informou sobre a situação de vacinas vencidas. Em nota, disse que iria distribuir 1,2 milhão de doses esta semana e, assim, regularizar o estoque, sem mencionar a validade das mesmas.

A gestão disse que, quando assumiu em 2023, depois do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), houve um desabastecimento generalizado de vacinas infantis. Além da covid, para a prevenção de doenças como tuberculose (BCG) e poliomelite.

O comunicado do governo foi divulgado nesta 4ª feira (23.out) depois de reportagem do jornal Folha de S. Paulo noticiar que cerca de 4,2 milhões de doses do imunizante da Moderna que estão no estoque do ministério estavam vencidas. A quantidade representaria ⅓ do lote.

O cenário, segundo a reportagem, teria deixado Estados e municípios sem vacinas, especialmente àquelas para o público infantil. A Moderna estaria substituindo as doses por outras com validade estendida.

CASOS E MORTES

O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) informou que foram contabilizados 14.755 novos casos de covid na última semana epidemiológica (6.out-12.out). No período anterior, foram 5.663 novos contágios.

Sob o governo Lula, o Ministério da Saúde parou de publicar o boletim diário com a quantidade de casos e mortes. Agora, os dados são divulgados semanalmente –divididos por semanas epidemiológicas. A decisão foi tomada em fevereiro de 2023. O motivo: a alteração na periodicidade “otimiza” o trabalho das equipes de vigilância nas unidades da Federação e “não há mais motivo para notificação diária”, segundo o Conass.

Leia abaixo a íntegra da nota do Ministério da Saúde:

“Não há falta generalizada de vacinas no Brasil. Houve um desabastecimento momentâneo de vacinas contra Covid-19 no país, entre os dias 16/10, data de vencimento das doses, e o dia de ontem (22/10).

“1,2 milhão de vacinas já começaram a ser distribuídas na data de ontem aos estados. São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, por exemplo, receberão a partir de hoje (23/10) essas vacinas.

“Dessa forma, até o final desta semana (25/10) todos os estados terão recebido suas doses. Além disso, já está em execução uma nova compra de 69 milhões de doses que garantirá o abastecimento de vacinas pelos próximos dois anos.

“Isso proporcionou também uma redução de aproximadamente 28% no preço da dose unitária, sendo um dos menores preços do mundo. Por exemplo, os EUA pagam até US$ 30 por dose, enquanto o Brasil paga US$ 7 por dose.

“Em 2023, quando assumimos a gestão, havia desabastecimento generalizado de vacinas como a Covid pediátrica (pfizer e coronavac), BCG (tuberculose), Hepatite-B, Poliomielite oral, e Tríplice Viral (Sarampo, rubéola e Caxumba). Além de problemas na gestão anterior, algumas dessas vacinas encontram-se em falta no mercado mundial, e outras apresentam desafios de produção nacional.

“Para garantir a vacinação de nossas crianças, algumas vacinas como a Meningo-C e a DTP (Difteria, Tétano e Coqueluche) puderam ser substituídas por outras vacinas, como a Pentavalente e a Meningo- ACWY, respectivamente. Em relação à vacina contra Varicela, foi feita aquisição emergencial de 2,7 milhões de doses e a previsão é que as primeiras remessas cheguem em novembro. Paralelamente, está e curso processo de compra regular. No caso das vacinas contra Febre Amarela, 6,5 milhões de doses devem chegar em novembro.”

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Médicos da UTI do Hospital Tarcísio Maia paralisam atividades por falta de pagamento

Os médicos que prestam serviço para a empresa de Serviço de Assistência Médica e Ambulatorial (SAMA) no Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, decidiram nesta quarta-feira (23), em assembleia com o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed RN), iniciar uma paralisação em decorrência do descumprimento de um acordo pré-processual com o governo do Estado. A paralisação, que começará oficialmente no sábado (26), terá como consequência o esvaziamento de leitos de UTI.

A reclamação pré-processual foi realizada à pedido do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), e participam a empresa SAMA, a Cooperativa Médica do RN (Coopmed), Governo do Estado e a Prefeitura de Natal. Segundo o Sinmed, desde maio o governo não vem cumprindo com os pagamentos acordados, que incluem parcelas de maio e junho, já atrasadas. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE questionou a Secretaria Estadual da Saúde Pública (Sesap) sobre a situação, por e-mail, e ainda não recebeu retorno.

Durante a assembleia, os profissionais de saúde discutiram a gravidade do cenário atual, que não só afeta a remuneração, mas também a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. A assembleia também definiu que, se até sábado ainda houver pacientes na UTI e a situação não for resolvida, eles serão transferidos para outras unidades via sistema Regula RN.

O sindicato informou que irá acionar as autoridades interessadas. Uma nova assembleia será realizada na próxima sexta-feira (25) para que sejam discutidas as estratégias no movimento.

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Greve compromete alimentação no Walfredo


Acompanhantes e servidores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, ficaram sem alimentação na noite da última segunda-feira (21) em razão da movimentação dos trabalhadores terceirizados da unidade que entraram em greve nesta terça-feira (22), por falta de pagamento. Ontem, quando o movimento paredista já tinha iniciado, o café da manhã foi servido apenas para os pacientes e a previsão era a mesma para o almoço. “Já avisaram que os acompanhantes não vão almoçar”, disse o agricultor José Arruda, de 49 anos durante o meio da manhã de ontem. Uma parente dele está internada no Walfredo há mais de um mês.

“Sou de Touros e não sei como vou fazer em relação à comida”, desabafou o agricultor. “Na segunda, consegui jantar. Hoje [na terça], pediram aos acompanhantes que descessem para pegar o café, mas de última hora, mudaram de ideia e disseram que não iam mais servir. E avisaram que não ia ter almoço”, relatou Arruda.

Já os servidores que não têm ligação com as empresa terceirizadas se organizaram entre si para comprar o almoço. “Nos deparamos com a falta de alimento desde a segunda-feira. Esperávamos que o Governo do Estado pagasse à empresa terceirizada e os valores fossem repassados aos trabalhadores, mas nada”, conta a técnica de enfermagem Carla Michelle.

“É uma situação constrangedora, porque nós que damos plantão de 12 ou 24 horas, chegamos ao hospital contando com a alimentação. Tiramos do bolso para comer. Estamos nos virando, comprando uma quentinha para duas pessoas, fazendo um lanche ou outro porque a essa altura do mês nem todo mundo tem de dinheiro para fazer esse gasto extra. Os acompanhantes também estão sofrendo muito. A maioria deles é do interior”, acrescenta.

“Ninguém é contra a greve, o que nós queremos é que a Sesap [Secretaria de Saúde do Estado] e o Governo comprem quentinhas para os trabalhadores e os acompanhantes, porque nós não temos culpa da falta de repasse”, disse Lúcia Silva, uma das coordenadoras do Sindsaúde. O Sindicato acompanha a situação de perto, uma vez que os trabalhadores da Saúde têm sido diretamente afetados pela paralisação dos terceirizados.

“Todo o serviço público é afetado porque não tem o terceirizado para fazer a comida. Outros hospitais do Estado estão nesta situação. Paralisou o pessoal da limpeza, da alimentação e maqueiros, de três empresas. Os atrasos nos pagamentos são corriqueiros”, explicou Carlos Alexandre, coordenador do Sindsaúde. Os terceirizados chegaram a fazer um protesto no Walfredo no começo da manhã de terça, mas quando a reportagem chegou ao local, a manifestação já havia encerrado. A TN não conseguiu falar com nenhum representante direto da paralisação.

De acordo com o Sindsaúde, o limite de greve está sendo respeitado, com 30% do quadro de funcionários em atuação. Segundo o Sindicato, no plantão diurno do Walfredo Gurgel trabalham 12 maqueiros, mas nesta terça-feira só havia quatro para atender os dois prédios do hospital. A lavanderia da unidade também funcionava somente com um contingente de 30%. A TRIBUNA DO NORTE pediu um posicionamento da Sesap sobre a questão, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

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Mulher é hospitalizada em estado grave após usar Ozempic Falsificado

Uma mulher foi hospitalizada no Copa D’Or em estado grave após utilizar um produto falsificado que era comercializado como Ozempic, um medicamento indicado para o tratamento de diabetes tipo 2. Após receber alta, a paciente percebeu que o produto que havia aplicado era adulterado, o que a levou a buscar atendimento na emergência.

A fabricante do Ozempic, Novo Nordisk, já havia alertado sobre a circulação de lotes falsificados de canetas de insulina que apresentavam rótulos do medicamento. A empresa orienta os consumidores a ficarem atentos à cor da caneta, que deve ser azul clara com botão cinza, além de verificar se a embalagem apresenta alterações e desconfiar de vendas em estabelecimentos não autorizados pela Anvisa.

Após a aplicação do produto, a paciente desenvolveu sintomas de hipoglicemia severa e problemas neurológicos. A equipe médica, ao examinar a caneta utilizada, notou discrepâncias que levantaram suspeitas sobre a autenticidade do medicamento.

Diante da situação, a Rede D’Or informou o ocorrido à Novo Nordisk e à Anvisa, que já havia emitido alertas sobre a presença de lotes falsificados no Brasil e em outros países. A Polícia Civil também foi acionada e registrou o incidente, com a intenção de investigar a origem do produto suspeito. O material será enviado para análise pericial, a fim de determinar sua composição e possíveis implicações legais.

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Entenda o diagnóstico e prevenção da Herpes-zóster

A herpes-zóster, popularmente conhecida como “cobreiro”, é uma doença viral que pode afetar pessoas que já tiveram catapora (varicela) durante a infância. A doença é causada pela reativação do vírus Varicela-Zóster (VVZ), que permanece latente no organismo após o primeiro contato com a varicela. Embora esteja em estado de dormência por muitos anos, o vírus pode se reativar em momentos de fragilidade do sistema imunológico. No Rio Grande do Norte, já foram registrados casos da doença.

De acordo com o Ministério da Saúde, a herpes-zóster pode ser desencadeada em pessoas adultas, principalmente após os 50 anos, ou em indivíduos imunocomprometidos, como aqueles que sofrem de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, ou que passaram por transplantes e enfrentam condições que debilitam o sistema imunológico. A reportagem da TN questionou a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) sobre os números da doença no RN, mas não obteve resposta.

O infectologista Igor Thiago, doutor em doenças infecciosas e parasitárias, explica que a herpes-zóster começa com uma ardência e coceira na região afetada, geralmente seguindo o trajeto de um nervo. “Ela é conhecida como cobreiro porque segue o caminho do nervo, como se fosse uma cobra. A doença se manifesta com lesões vermelhas e pequenas bolhas com líquido claro, que rompem e causam úlceras na pele. Essa fase é extremamente dolorosa, porque, além das lesões cutâneas, também há dano nos nervos, o que intensifica a dor”, comenta.

Segundo o especialista, quem nunca teve catapora não pode desenvolver herpes zóster, já que a doença depende da reativação do vírus que já está no corpo. “Não há como reativar o vírus”, explica Igor. Entre os sintomas mais comuns estão dores nevrálgicas (nos nervos), formigamento, febre, dor de cabeça e mal-estar. A erupção cutânea geralmente aparece em um lado do corpo, como na região torácica, cervical ou lombossacral, levando de duas a quatro semanas para se curar. Em alguns casos, a dor pode persistir por meses, caracterizando a chamada nevralgia pós-herpética.

O enfraquecimento do sistema imunológico é o principal fator de risco para a reativação do vírus, como destaca a enfermeira Kaliane Vieira, que atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Parnamirim. “Hoje, muitas coisas contribuem para o enfraquecimento da imunidade, como estresse, má alimentação e sedentarismo. A população, de modo geral, não tem hábitos saudáveis, e isso acaba facilitando a reativação do vírus que estava adormecido desde a infância”, explica.

A prevenção da herpes zóster passa, principalmente, pela vacinação. “Existem vacinas disponíveis de forma privada, e elas aumentam os anticorpos para evitar a reativação do vírus”, complementa o infectologista Igor Thiago. Além da vacinação, manter hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividades físicas e controle do estresse, são recomendados para fortalecer o sistema imunológico.

Alessandra Gonzaga, advogada de 45 anos, compartilhou a experiência com a doença e relata a dificuldade para lidar com os sintomas antes de receber o diagnóstico correto. “Eu não sabia o que era herpes-zóster. Achei que fosse uma dor nas costas por causa da academia, depois surgiram manchas vermelhas, que eu confundi com alergia. Quando fui ao dermatologista, ele imediatamente identificou a doença, e eu já estava com feridas nas costas. A dor era insuportável, e não conseguia dormir”, relata Alessandra, que atualmente está em processo de recuperação.

O tratamento para herpes zóster consiste no uso de antivirais que combatem o vírus varicela-zóster e ajudam a prevenir complicações, como a neuralgia pós-herpética, que é uma dor persistente após a cura, e infecções secundárias na pele. Além disso, o tratamento adequado pode evitar outras condições.

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