BrasilSTFBetsPGR

Paulo Gonet solicita ao STF suspensão nacional de processos contra proibição das bets

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao Supremo Tribunal Federal a suspensão de todas as ações judiciais no país que questionam a medida provisória de proibição das casas de apostas online. A iniciativa busca evitar decisões conflitantes e garantir segurança jurídica até que a Corte defina a validade da norma, que retirou as plataformas de ar definitivamente em outubro de 2026.

Por que o procurador-geral da República decidiu intervir no caso das casas de apostas?

Paulo Gonet argumenta que a existência de múltiplos processos judiciais sobre o mesmo tema gera um cenário de insegurança jurídica e uma aplicação desigual das leis no Brasil. Ele citou 14 exemplos de processos que contestam a proibição das bets. Recentemente, houve um conflito de decisões no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, onde uma desembargadora chegou a liberar o funcionamento de três empresas, chamando a proibição de 'confisco', mas a decisão foi anulada logo em seguida pelo presidente da mesma Corte para manter a ordem pública e a proteção ao consumidor.

Qual é a situação atual da proibição e como o Supremo Tribunal Federal está tratando o tema?

A proibição oficial das bets começou a valer em 25 de setembro de 2026, com prazos para que usuários retirassem saldos antes das plataformas saírem do ar. No STF, o caso está sob a relatoria do ministro Luiz Fux, que já indicou ser favorável à extinção das casas de apostas, embora a decisão final dependa do julgamento em plenário. Enquanto isso, o governo federal defende que as autorizações de funcionamento, que custaram R$ 30 milhões cada, foram extintas por razões de proteção à saúde e ao consumidor, sem previsão de devolução dos valores pagos pelas empresas do setor de jogos.

Como o fim das apostas online impacta as finanças do futebol brasileiro?

O setor de apostas se tornou a maior fonte de patrocínio para o futebol nacional, investindo mais de R$ 1 bilhão apenas nos clubes da Série A em 2025. Além das marcas nas camisas, as bets detêm contratos de 'naming rights', que é quando uma empresa paga para dar seu nome a estádios ou campeonatos. Exemplos incluem o Brasileirão Betano, a Copa Betano do Brasil e estádios como a Arena Fonte Nova e os Aflitos. Com a proibição, entidades esportivas expressaram preocupação ao ministro Luiz Fux sobre a enorme perda de receita e a interrupção abrupta desses contratos comerciais.

Como as bets surgiram no país e o que causou a polêmica em torno do jogo Tigrinho?

O mercado de apostas esportivas ganhou aval jurídico em 2018, no governo de Michel Temer, mas a regulamentação demorou anos para avançar. Em 2023, o governo Lula editou normas que aceleraram o marco legal no Congresso. Durante esse processo, uma mudança no conceito de aposta permitiu a entrada de jogos online baseados em algoritmos aleatórios, como o cassino virtual conhecido como 'Tigrinho'. Essa brecha ampliou o mercado para além dos eventos esportivos reais, criando o cenário de cassinos virtuais que agora enfrentam a proibição total determinada pela atual medida provisória.


GAZETA DO POVO

Veja também

Brasil

Prejuízo dos Correios mais que triplica em 2025 e atinge R$ 8,5 bilhões

Blog do BG


Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões em 2025, alta de 226,9% em relação a 2024, quando o resultado negativo foi de R$ 2,6 bilhões. O valor mais que triplicou em um ano e é o maior da série histórica desde o Plano Real.

A receita bruta da estatal somou R$ 17,3 bilhões em 2025, queda de 11,35% na comparação anual. Segundo a empresa, o desempenho foi impactado pela concorrência no setor de e-commerce e pelo aumento de custos operacionais.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que o cenário ainda é desafiador e que a melhora dos números leva tempo. Ele destacou dificuldades no fluxo de caixa, que tem provocado atraso no pagamento a fornecedores.

A estatal informou que o prejuízo também foi influenciado pelo reconhecimento de R$ 2,63 bilhões em precatórios e contingências judiciais. O patrimônio líquido encerrou 2025 em R$ 13,1 bilhões negativos.

Nos primeiros 100 dias do plano de reestruturação, os Correios apontaram redução de 32% nos custos variáveis com empregados. O Programa de Desligamento Voluntário (PDV) teve 3.748 adesões e deve gerar economia na folha.

A empresa também registrou queda de 43% no volume de encomendas em atraso e afirma melhora nos indicadores de satisfação dos clientes.

O plano de recuperação, anunciado no fim de 2025, prevê economia anual de R$ 7,4 bilhões, com cortes de pessoal, fechamento de unidades e aumento de receitas.

Ler a matéria e comentar
Brasil

PF convida amiga de Lulinha para depor em inquérito sobre fraudes no INSS

CNN

A PF (Polícia Federal) enviou um convite à empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), questionando se ela gostaria de prestar depoimento no âmbito das investigações das fraudes bilionárias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Roberta trabalhou para Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Em relatório da PF, foram apontados indícios de que ela seria a intermediária entre Antunes e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que seria um sócio oculto do “Careca do INSS”.

Roberta foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da operação Sem Desconto, em dezembro passado, depois que a PF detectou que ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão do “Careca do INSS”, suspeito de liderar o esquema de desvios.

A defesa de Roberta disse à CNN que recebeu um e-mail indagando se ela gostaria de prestar depoimento pessoal. Não foi marcada uma data para o interrogatório.

“Esclarecemos que ela havia prestado minuciosos esclarecimentos por escrito e que estava à disposição para prestar qualquer esclarecimento suplementar que fosse necessário”, explicou o advogado Bruno Salles.

O possível depoimento da amiga de Lulinha faz parte de uma força-tarefa montada pela PF para colher 35 depoimentos restantes no caso, como mostrou a CNN.

Os convites – e algumas intimações – foram enviados após a corporação policial fechar a delação premiada do empresário Mauricio Camisotti, apontado como centro financeiro do esquema de descontos associativos nos contracheques de aposentados e pensionistas. O conteúdo da colaboração foi enviado na semana passada ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Ler a matéria e comentar

0 comentários

Deixe seu comentário

Não será publicado.